A Doutrina da Justificação
A justiça pela fé, assunto central da epístola de Paulo aos Romanos, é uma das principais doutrinas bíblicas. A sua compreensão torna-se indispensável, pois nela se traduz o principal objetivo da obra de Cristo: Justificar o homem diante de Deus, para eximi-lo de culpa e dar-lhe a possibilidade do novo nascimento e da vida eterna.
Texto áureo:
“Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho, de fé em fé, como está escrito: O justo viverá por fé.”
Romanos 1:17
INTRODUÇÃO
A justiça pela fé, assunto central da epístola de Paulo aos Romanos, é uma das principais doutrinas bíblicas. A sua compreensão torna-se indispensável, pois nela se traduz o principal objetivo da obra de Cristo: Justificar o homem diante de Deus, para eximi-lo de culpa e dar-lhe a possibilidade do novo nascimento e da vida eterna.
COMENTÁRIO
O século 16 foi um tempo obscuro na igreja; se havia perdido em meio ao paganismo e à decadência moral. Naquele cenário sem esperanças, o monge Martinho Lutero redescobriu quão profunda e libertadora era a afirmação de Paulo de que “o justo viverá por fé”. Foi a partir deste acontecimento, a sua libertação, que ele se tornou um instrumento de Deus para iniciar a urgente reforma doutrinária, moral e espiritual da igreja. Este exemplo histórico confirma a importância desta doutrina para o cristianismo.
O QUE É JUSTIFICAÇÃO?
Define-se a justificação como sendo:
“UM ATO DA GRAÇA DE DEUS EM QUE ELE IMPUTA ÀQUELE QUE CRÊ EM JESUS A SUA JUSTIÇA E ASSIM O DECLARA JUSTO”.
Ela trata da condição de culpa humana diante de Deus em função do pecado, apresentando-se como solução eficaz para o problema.
Paulo em sua carta aos cristãos romanos, reporta a uma frase extraída de Hc 2:4 (“O justo viverá por fé”) e a trata como ideia fundamental da pregação cristã (Rm 1:17). A justiça para salvação baseia-se na fé e apela somente para a fé, isto é, crer no valor salvador e justificador do sangue de Jesus é o único caminho para se alcançar a justificação. Qualquer outro meio será ineficaz.
A) A NECESSIDADE DE JUSTIFICAÇÃO
A seção que vai do v. 18 do cap. 1, ao v. 20 do cap. 3 de Romanos, expõe a culpa humana perante Deus.
Parte do primeiro capítulo (vs. 18 a 32) fala da pecaminosidade do mundo gentio usando duras expressões como: “Deus os entregou” (que se repete 3 vezes em apenas 15 versículos) para ilustrar a gravidade da situação.
A terrível atitude de arrogância e justiça própria dos judeus é tratada no cap. 2, que se encerra com uma afirmação que tira deles todos, quaisquer que sejam, argumentos religiosos:
“Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração no espírito, não segundo a letra, e cujo louvor não procede dos homens, mas de Deus”.
O cap. 3 (exceto um pequeno trecho — vs. 1 a 8) trata da culpa da humanidade em geral diante do Senhor.
B) CRISTO É O JUSTIFICADOR
Em função desta culpa se fez então necessária uma ação divina que pudesse tratar eficazmente este problema.
A justificação pela fé trata do problema real, que não são os pecados (plural — a conduta pecaminosa), mas sim, o pecado (singular — a natureza pecaminosa em nós).
Quando, pela fé, somos justificados por Cristo, esta natureza pecaminosa (o pecado) é regenerada tornando-se isenta de culpa. Só assim passamos a triunfar sobre a conduta pecaminosa (os pecados), e o que nos motiva a esta atitude é o fato de Cristo ter pago a nossa dívida diante de Deus e da Lei (Cl 2:11-14).
Não significa que somos imunes ao pecado, mas que toda a nossa culpa foi jogada no mar do esquecimento de Deus, como ele já havia prometido (Mq 7:18; Is 43:25).
Assim, a justiça de Cristo nos transporta da condição de pecadores para justificados por seu sangue, mediante a fé.
Isso é mais que perdoar; é tirar de nós a culpa que o sangue de animais jamais poderia tirar (Hb 10:4).
Foi exatamente isso que João Batista, ao ver Jesus, afirmou:
“Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1:29).
Através da sua obra, o Senhor Jesus nos colocou numa situação de conforto para com Deus (Rm 5:1; 1Co 6:11).
A nossa tarefa não é alcançar justiça, este trabalho Cristo já fez! Se confiarmos em nosso méritos e obras, estaremos incorrendo no mesmo erro dos religiosos fariseus; muitas pessoas vivem com medo de perder a sua salvação por desconhecer o poder da libertação da justiça pela fé.
O crente é justificado pela sua fé; e precisa estar ciente de que não são os seus esforços para ser “santo” que o tornarão justo, mas que a fé no sacrifício de Cristo o justifica; sendo a santificação uma consequência natural disto. (Rm 6:14)
CONCLUSÃO
A Justificação provém da graça de Deus, no que Cristo torna justos por seu sacrifício aqueles que creem em sua obra.
É este o poder que João expressa em sua versão do evangelho:
“A todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (Jo 1:12)
PERGUNTAS
01. O que é Justificação?
02. Que afirmação extraída do A.T. é usada por Paulo em Romanos como ideia fundamental da pregação cristã?
03. Do que trata a seção de Romanos que vai do primeiro ao terceiro capítulo?
04. Qual foi o principal erro dos judeus?
05. Como a justificação pela fé resolve o problema da culpa humana diante de Deus?
06. A santidade de vida deve ser tratada como meio ou como consequência da justificação? Por quê?