Easton's Bible Dictionary
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A arte da escrita deve ter sido conhecida no tempo dos primeiros faraós. Moisés é ordenado “escrever por memorial num livro” (Êxodo 17:14) um registro do ataque de Amaleque. Menções frequentes da escrita aparecem depois (Êxodo 28:11, 21, 29, 36; 31:18; 32:15, 16; 34:1, 28; 39:6, 14, 30). A origem dessa arte é desconhecida, mas há razões para concluir que na época de Moisés ela era bem conhecida. Os livros inspirados de Moisés são os escritos mais antigos existentes, embora haja monumentos escritos tão antigos quanto cerca de 2000 a.C. As palavras que exprimem “escrita”, “livro” e “tinta” são comuns a todos os ramos ou dialetos da língua semítica, e por isso se conclui que essa arte devia ser conhecida pelos primeiros semitas antes de se separarem em várias tribos, nações e famílias. “O Antigo Testamento e as descobertas da arqueologia oriental igualmente nos dizem que a era do Êxodo foi, por toda a Ásia Ocidental, uma era de literatura e livros, de leitores e escritores, e que as cidades da Palestina estavam repletas de registros contemporâneos de eventos passados inscritos em argila perdurável. Dizem-nos também que os parentes e vizinhos dos israelitas já conheciam a escrita alfabética, que os errantes no deserto e as tribos de Edom estavam em contato com os escribas e comerciantes cultos de Ma’in [Sul da Arábia], e que a ‘casa da servidão’ da qual Israel fugira era uma terra onde a arte da escrita se ostentava não só nos templos dos deuses, mas também nas habitações dos ricos e poderosos.” (Sayce). (Ver DEBIR; FENÍCIA.) O “Livro dos Mortos” era uma coleção de orações e fórmulas, por meio das quais se supunha que as almas dos mortos atingiriam repouso e paz no outro mundo. Foi composto em vários períodos, desde os tempos mais antigos até a conquista persa. Oferece um vislumbre interessante da vida religiosa e do sistema de crenças entre os antigos egípcios. Nele se aprende que acreditavam na existência de um Ser Supremo, na imortalidade da alma, no juízo após a morte e na ressurreição do corpo. Mostra também um alto grau de atividade literária no Egito na época de Moisés. Refere-se a extensas bibliotecas então existentes. A de Ramessium, em Tebas, por exemplo, construída por Ramsés II, continha 20.000 livros. Quando os hebreus entraram em Canaã, é evidente que a arte da escrita era conhecida pelos habitantes originais, como aparece, por exemplo, no nome da cidade Debir, que inicialmente fora Kirjath-sepher, i.e., a “cidade do livro” (Josué 10:38; 15:15; Juízes 1:11). A primeira menção a cartas escritas é no tempo de David (2 Samuel 11:14, 15). Cartas são depois frequentemente citadas (1 Reis 21:8, 9, 11; 2 Reis 10:1, 3, 6, 7; 19:14; 2 Crônicas 21:12-15; 30:1, 6-9, etc.).
Hastings Dictionary of the Bible
Hastings Dictionary of the Bible
ESCRITA é ora ideográfica ora fonética. Na escrita ideográfica os sinais representam as próprias ideias, quer pictorialmente por imitação direta do objeto, quer simbolicamente, como quando a figura de um olho é usada para transmitir a ideia de visão ou conhecimento, e a figura de um leão a ideia de coragem. Na escrita fonética os sinais representam simplesmente os sons de que uma palavra é composta, por vezes englobando-os em sílabas inteiras, por vezes dissolvendo-os em letras isoladas. A escrita ideográfica — isto é, escrita por imagens ou em hieróglifos — é uma arte de data muito antiga, e ainda hoje é comum em muitas nações primitivas. Em sua forma menos desenvolvida encontra‑se entre nossos aborígenes americanos, e era o método comum usado pelos mexicanos, alguns dos quais conservaram figuras antigas desse tipo. Os exemplares mais numerosos e notáveis de escrita hieroglífica existem no Egito; foram procurados por viajantes e copiados em desenhos e placas de cobre, mas desafiaram o engenho e o trabalho de muitas eras. Um distinto antiquário francês, Champollion, foi o primeiro a decifrar grande número deles, e seus trabalhos lançaram grande luz sobre as Escrituras e vindicaram a história mosaica de uma multidão de objeções. Hoje uma inscrição hieroglífica pode ser lida tão precisamente quanto uma clássica. Como exemplo de um método antigo de escrita fonética podem ser citadas as inscrições cuneiformes encontradas em monumentos assírios, babilônicos e persas. Os caracteres assemelham‑se muito a cabeças de flecha, e a chave para decifrá‑los só foi encontrada entre 1800 e 1815, por Grotefend. É também evidente que os judeus possuíam muito cedo a escrita fonética. Ao longo de toda a história mosaica livros e escritas são mencionados como de uso familiar. Ex 17:14; 2 Sam 11:14; 1 Kgs 21:8-9; 1 Kgs 21:11; 2 Kgs 10:1, 2 Kgs 10:2, 2 Kgs 10:6-7. O alfabeto que os judeus usavam foi um desenvolvimento do alfabeto fenício, e sofreu várias mudanças com o tempo. Os materiais usados na escrita eram tábuas de pedra, Ex 31:18; Ex 32:15-16, Ex 32:19; Deut 34:1; Ex 34:4, Ex 34:28-29, ou madeira de buxo e bronze, ou gesso, Deut 27:2; Josh 8:32, ou pele, que era transformada no mais fino pergaminho ou vitela. Para materiais duros usava‑se um estilete de ferro ou ferramenta de gravador. Job 19:24; Ps 45:1; Isa 8:1; Jer 8:8; Ex 17:1, mas para o pergaminho uma caneta de junco e tinta. 2 Cor 3:3; 2 John 12; 3 John 13. O pergaminho não era recortado em folhas formando um livro, mas unido em rolos longos. Ver Pena. A prática de empregar um amanuense era muito mais comum nos tempos antigos do que atualmente. Daí Paulo dar, como autenticação de suas cartas, algumas palavras escritas com sua própria mão. 1 Cor 16:21; Col 4:18; 2 Thess 3:17. Esse fato também explica Rom 16:22. O tamanho da letra do apóstolo é indicado. Gal 6:11. A tinta dos antigos era feita de carvão pulverizado ou da parte negra de marfim queimado com água, com a adição de algum tipo de goma. A tinta do Oriente nos dias atuais é uma substância muito mais espessa que a nossa, mas não é permanente; uma esponja úmida apagará até a mais fina de suas escritas. O tinteiro (inkhorn) era, e é, um longo tubo que contém as canetas de junco, com um pequeno compartimento preso ao lado para conter a tinta. Tudo isso é enfiado no cinturão. Ver Livro.
Smith's Bible Dictionary
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Não há registro na Bíblia sobre a origem da escrita. Há evidências de que os egípcios, na época de José, conheciam certa forma de escrita, mas nada indica que até esse período o conhecimento se estendesse à família hebraica; ao mesmo tempo, não há evidência em contrário. A escrita é mencionada com clareza pela primeira vez em (Êxodo 17:14) e o contexto implica claramente que então não estava sendo empregada pela primeira vez, mas já era tão familiar que se usava para registros históricos. Não é absolutamente necessário inferir disso que a arte de escrever era um dom possuído por todo cidadão hebreu. Se examinarmos os casos em que a escrita é mencionada em conexão com indivíduos, veremos que em todos os casos os escreventes eram homens de posição superior. Em (Isaías 29:11,12) há claramente uma distinção entre o homem que sabia ler e o que não sabia, e parece inferência natural que as habilidades de ler e escrever não eram amplamente difundidas entre o povo, quando as encontramos universalmente atribuídas aos de alta posição ou instrução — reis, sacerdotes, profetas e escribas profissionais. No nome Kirjathsepher (cidade do livro), (Josué 15:15) há indicação de conhecimento da escrita entre os Fenícios. Os Hebreus, então, um ramo da grande família semítica, estando em posse da arte da escrita, segundo seus próprios registros históricos, desde período muito antigo, colocam-se as questões subsequentes: que tipo de caracteres usaram e de onde os obtiveram. Investigações recentes mostraram que o caractere hebraico quadrado é de data comparativamente moderna, tendo-se formado a partir de um tipo mais antigo por um processo gradual de desenvolvimento. Qual era, então, esse tipo antigo? Muito provavelmente o fenício. Plínio opinava que as letras tinham origem assíria. Diodoro Sículo (v. 74) diz que os sírios inventaram as letras, e que os Fenícios, tendo-as aprendido, as transmitiram aos Gregos. Segundo Tácito (Ann. xi. 14), acreditava‑se que o Egito fora a fonte de onde os Fenícios obtiveram seu conhecimento. Seja como for, àqueles Fenícios, ousados marinheiros e aventureiros colonizadores do mundo antigo, a voz da tradição atribuiu a honra da invenção das letras. Se elas lhes vieram de uma fonte aramea ou egípcia não passa, na melhor hipótese, de conjectura. Pode, contudo, inferir‑se razoavelmente que os antigos Hebreus derivaram dos Fenícios, ou com eles partilharam, o conhecimento da escrita e o uso das letras. Os nomes das letras hebraicas indicam que elas devem ter sido invenção de um povo semítico, e que eram ademais um povo pastoril pode ser inferido a partir da mesma evidência. Mas, quer os Fenícios tenham sido ou não os inventores do alfabeto semítico, não há dúvida de seu justo direito de serem considerados os seus principais disseminadores; e com esse entendimento podemos aceitar a genealogia dos alfabetos dada por Gesenius, e apresentada na tabela acompanhante. Os antigos alfabetos semíticos podem ser divididos em duas classes principais:
Fontes
- Easton's Bible Dictionary (1897)
- Hastings Dictionary of the Bible (1898)
- Smith's Bible Dictionary (1863)
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