Easton's Bible Dictionary
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Concedido no dia de Pentecostes (Atos 2:4), em cumprimento de uma promessa que Cristo havia feito aos seus discípulos (Marcos 16:17). O que esse dom realmente foi tem sido objeto de muita discussão. Alguns sustentaram que foi meramente um sinal exterior da presença do Espírito Santo entre os discípulos, tipificando seus múltiplos dons e mostrando que a salvação devia ser estendida a todas as nações. Mas as palavras de Lucas (Atos 2:9) mostram claramente que os diversos povos em Jerusalém na ocasião de Pentecostes realmente ouviram a si mesmos dirigidos em sua própria língua específica, com a qual estavam naturalmente familiarizados (compare Joel 2:28-29). Entre os dons do Espírito o apóstolo enumera, em 1 Coríntios 12:10–14:30, “variedades de línguas” e a “interpretação de línguas.” Esse “dom” era uma manifestação diferente do Espírito daquela de Pentecostes, embora se assemelhasse a ela em muitos aspectos. As línguas deviam ser “sinal para os que não creem.”
Hastings Dictionary of the Bible
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DOM DE LÍNGUAS, um dos fenômenos misteriosos ligados à obra dos apóstolos. Pertence aos dons miraculosos que enfeitaram a era primitiva da Igreja. Nosso Senhor, imediatamente antes de sua ascensão, prometeu a seus discípulos que falariam com novas línguas. Mark 16:17. Essa promessa teve início de seu cumprimento no dia de Pentecostes. Acts 2. Devemos, porém, distinguir entre a essência própria desse falar em línguas, como dom da Igreja apostólica em geral, e a forma particular sob a qual se manifestou pela primeira vez naquele dia. Só assim podemos compreender 1 Cor 14. Lucas não descreve o fenômeno de Pentecostes como um acontecimento comum, nem aquela cena maravilhosa se repetiu na casa de Cornélio. Acts 10:46. Pentecostes é um evento singular, e o subsequente dom de línguas deve ser considerado como uma manifestação diferente de um mesmo Espírito. Isso pode ficar evidente. As línguas de Pentecostes eram línguas como chamas de fogo. Sua vinda sobre os discípulos foi precedida por ruidos violentos. Pareceu uma possessão literal. Eles falavam involuntariamente e com poder estranho. Mas na igreja de Corinto não ocorreu tal fenômeno. O falar tinha lugar nas reuniões da igreja. Era feito silenciosamente. Entrava como parte do culto. Podia ser omitido ou suprido. 1 Cor 14:28. Em Pentecostes os discípulos falaram línguas estranhas, compreendidas pelos que eram nativos daquelas línguas. Acts 2:6. As palavras empregadas indicam claramente que o milagre ocorreu nos discípulos. Mas na igreja de Corinto as palavras proferidas sob essa influência não eram compreendidas até que o próprio orador as interpretasse ou fosse interpretado. 1 Cor 14:13, 1 Cor 14:27. Podemos, no entanto, encontrar semelhanças entre o fenômeno pentecostal e os ocorridos na igreja de Corinto. Em cada caso o falar em línguas era primariamente uma oração dirigida a Deus, e não aos homens. Era um ato de adoração, realizado não para impressionar os incrédulos, mas pela alegria do coração. Acts 2:4; cf. 1 Chr 24:6; 1 Cor 14:26. Além disso, pareceu a ouvintes hostis ou desinteressados como loucura ou embriaguez. Acts 2:13; 1 Cor 14:23. Para aqueles que entendiam, porém, o falar era edificante. Convém notar que os coríntios não foram os únicos cristãos a usufruir desse dom espiritual de expressão. Formou, de fato, parte da obra do Espírito sobre esses primeiros crentes. Ver Acts 10:46. Nem desapareceu no primeiro século. Irenaeus, um padre da segunda metade do segundo século, escreve: "Ouvimos muitos irmãos na igreja, possuindo dons proféticos, e pelo Espírito falando em todo tipo de línguas." Definimos esse fenômeno, no caso desses cristãos, como uma oração ou canto involuntário em estado extático no qual o Espírito Santo domina a mente humana e nela atua, como que tocando-a como instrumento. "Veementemente levado pelo Espírito, esquecendo o mundo e a si mesmo, arrebatado no gozo imediato da Deidade, o orador em línguas irrompia numa comunicação de mistérios divinos ou num cântico de louvor pelas maravilhosas obras do amor eterno." A interpretação dessa fala estranha podia ser feita somente por aqueles em êxtase semelhante. S. Paulo aconselha que, onde não haja intérprete, não se fale em línguas. Ver-se-á que sustentamos que a habilidade de falar em língua estrangeira sem qualquer estudo nela não fazia parte desse dom de línguas; isso ocorreu somente em Pentecostes. Paulo era habilidoso em falar em línguas, mas ignorava a língua da Licaônia. Acts 14:11-14. Há uma tradição primitiva e confiável de que Pedro usou Marcos como seu intérprete em Roma. O fato da língua grega ser tão difundida tornou desnecessária tal faculdade miraculosa. Os casos de "falar" citados no N.T. são todos de uma só espécie — não evangelísticos, mas declarativos: cristão a cristão, não a estrangeiro. De fato, a expressão "falar com novas línguas" parece por si mesma não indicar dialetos estrangeiros — pois não eram novos — mas uma linguagem diferente de todos os dialetos em uso, uma linguagem do novo Espírito derramado sobre os discípulos. Nos tempos modernos, na congregação do Rev. Edward Irving, em Londres, por volta de 1830, deu-se um fenômeno maravilhoso semelhante em alguns aspectos ao descrito em 1 Cor 14. Durou algum tempo em conexão com manifestações proféticas. Do entusiasmo que causou surgiu a chamada Igreja Católica Apostólica, da qual Mr. Irving foi primeiro líder, embora não tenha sido completamente organizada até depois de sua morte.
Smith's Bible Dictionary
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I. glotta, ou glossa, a palavra empregada por todo o Novo Testamento para o dom ora em questão, é usada — (1) para o órgão corporal da fala; (2) para uma palavra estrangeira importada e meio naturalizada no grego; (3) no grego helenístico, para “discurso” ou “língua”. A visão tradicional recebida, que parte do terceiro sentido e vê no dom de línguas um poder distintamente linguístico, é a mais correta. II. As principais passagens das quais devemos tirar nossa conclusão quanto à natureza e ao propósito do dom em questão são —