Hastings Dictionary of the Bible
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TO'BIT, LIVRO DE, um dos mais interessantes dos Apócrifos do Antigo Testamento, mas desprovido de valor histórico e claramente um romance. A história de Tobit pode ser assim narrada. Era ele um nafitalita que permaneceu fiel ao serviço do templo em meio à apostasia de seus compatriotas, mas, não obstante, partilhou com eles das desgraças e foi levado para Nínive por Shalmanezer. Sua riqueza e sua posição na corte lhe davam oportunidade de ajudar o seu povo e assim conquistar o seu apreço, e por algum tempo sua vida foi invejável. Mas uma mudança de governantes mudou sua fortuna. Quando Senaqueribe subiu ao trono, foi obrigado a fugir da ira do rei por seu ato de enterrar os judeus que o rei havia morto. Toda a sua propriedade foi confiscada. Porém, a pedido de um sobrinho, o novo rei, Esar-Hadom (Esarhaddon), que sucedeu Senaqueribe, permitiu-lhe voltar a Nínive. Pouco depois perdeu a visão em consequência da lesão que seus olhos abertos sofreram com as fezes quentes de andorinhas que caíram sobre eles, causando albugo — isto é, manchas brancas e duras nos olhos, de maior ou menor extensão, e não transparentes. Uma querela com sua esposa por causa de um cabrito levou-a a censurá‑lo, sob as quais ele chorou amargamente e em tristeza orou. Nesse ponto é introduzido o episódio de Sarra, de Ecbatana na Média. Ela fora esposa de sete homens que foram sucessivamente mortos na noite de núpcias por Asmodaeus. Sua oração pela morte foi feita ao mesmo tempo que a oração de Tobit pelo mesmo fim. “E Rafael foi enviado para curá‑los ambos” — isto é, para remover as manchas brancas dos olhos de Tobit — “e para dar Sarra por esposa a Tobias, filho de Tobit, e para amarrar Asmodaeus, o demônio ímpio.” Isso se realizou da seguinte maneira: Tobit enviou seu filho à Média para recuperar algum dinheiro emprestado, nos dias de sua prosperidade, a um tal de Gabael. Aproveitou a ocasião para dar ao filho muitos conselhos úteis. O anjo Rafael, na aparência de “Azarias, filho de Ananias, o grande,” saudou Tobias e fez a viagem em sua companhia. A captura de um peixe colocou nas mãos de Tobias os meios de curar seu pai e livrar Sarra do demônio. Sua jornada foi extremamente bem‑sucedida. Recuperou o dinheiro emprestado, casou‑se com Sarra, a quem Rafael lhe apresentou, e voltou para casa com esses tesouros, para grande regozijo de Tobit, que começara a temer um pouco pela sua segurança. O livro termina com a restauração da visão e da prosperidade de Tobit, seu consequente salmo de gratidão, que é um digno eco dos Salmos canônicos e a melhor passagem do livro, e a menção da morte de Tobit e Tobias. A narrativa acima está evidentemente muito aquém da dignidade das Escrituras, e o estudo do livro leva à descoberta de muitos erros sérios, não apenas históricos, mas morais, tais como a ideia de mérito das boas obras, a confiança em anjos e a crença em demônios. O livro é, de fato, um romance, um bom exemplar de sua classe, mas destituído de probabilidade e em parte baseado em Jó. O autor do livro foi, sem dúvida, um judeu, e provavelmente alguém que viveu no Extremo Oriente. Os críticos divergem bastante quanto ao tempo da composição. Diversas datas, de 333 a.C. a 250 d.C., têm sido atribuídas a ele, mas talvez, com mais razão, possa ser situado no período próximo ao termo das guerras dos Macabeus.
Smith's Bible Dictionary
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O Livro de Tobit é um livro dos apócrifos que atualmente existe em textos grego, latim, siríaco e hebraico, embora provavelmente tenha sido escrito originalmente em grego. A cena do livro situa-se na Assíria, para onde Tobit, um judeu, foi levado cativo por Salmanaser. O relato é apresentado como concluído pouco depois da queda de Nínive (c. 606 a.C.), Tob. 14:15, e escrito, em sua maior parte, algum tempo antes (Tob. 12:20). Mas todo o tom da narrativa aponta para uma época posterior e, acima de tudo, a doutrina dos espíritos bons e maus é desenvolvida em forma que pertence a um período consideravelmente posterior ao cativeiro babilônico (Asmodeus iii.8; vi.14; viii.3; Raphael xii.15). Não pode ser considerado como história verdadeira. É uma narrativa didática cuja finalidade está nas lições morais que transmite, e não nos incidentes. Em tempos modernos a excelência moral do livro tem sido muito estimada, exceto no calor da controvérsia. Em nenhum outro lugar se conserva quadro tão completo e belo da vida doméstica dos judeus após o retorno. Quase todas as relações familiares são tratadas com graça e afeto naturais. Uma característica doutrinária do livro é a firme crença numa gloriosa restauração do povo judeu (Tob. 14:5; 13:9-18). Mas a restauração contemplada é nacional, e não obra de um Salvador universal. Em todo o livro não há o menor vestígio da crença em um Messias pessoal.