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Verbete bíblico

Espinho na carne

(2 Cor. 12:7-10). Foram dadas muitas interpretações deste trecho. (1.) Escritores católicos romanos entendem que denota sugestões à impiedade. (2.) Lutero, Calvino e outros reformadores interpretam a expressão como denotando tentação à incredulidade. (3.) Outr…

Tradução/adaptação em português realizada pela Bíblia Vida a partir de fontes históricas identificadas abaixo. As fontes são apresentadas separadamente.

Easton's Bible Dictionary

Easton's Bible Dictionary

(2 Cor. 12:7-10). Foram dadas muitas interpretações deste trecho. (1.) Escritores católicos romanos entendem que denota sugestões à impiedade. (2.) Lutero, Calvino e outros reformadores interpretam a expressão como denotando tentação à incredulidade. (3.) Outros supõem que a expressão se refere a “uma dor no ouvido ou na cabeça”, convulsões epilépticas ou, em geral, a alguma enfermidade física grave que era um impedimento ao trabalho do apóstolo (cf. 1 Cor. 2:3; 2 Cor. 10:10; 11:30; Gal. 4:13,14; 6:17). Com grande probabilidade tem sido alegado que sua moléstia era defeito de visão, consequente à luz ofuscante que o cercou na sua conversão — oftalmia aguda. Isso explicaria as afirmações em Gal. 4:14; 2 Cor. 10:10; também Atos 23:5, e o fato de ele frequentemente recorrer ao auxílio de um amanuense (cf. Rom. 16:22, etc.). (4.) Outra opinião sustentada é que esse “espinho” consistia numa fraqueza de temperamento, à qual por vezes ele cedia, e que prejudicava seu sucesso (cf. Atos 15:39; 23:2-5). Considerando o fato — que a experiência dos santos de Deus em todas as idades estabeleceu de modo conclusivo — da dificuldade de subjugar uma fraqueza de temperamento, bem como a dor, o remorso e a humilhação que tal fraqueza costuma causar àqueles que a suportam, pode‑se inclinar a crer que não é hipótese improvável que o “espinho” ou “estaca” na carne fosse a desventura que o coração amoroso do apóstolo lamentava como seu mais severo provação: a impaciência verbal, pela qual muitas vezes havia ferido aqueles pelos quais daria a vida.” (Trecho de Lias’s Second Cor., Introd.)

Schaff's Dictionary of the Bible

Schaff's Dictionary of the Bible

ESPINHO NA CARNE, DE PAULO. Em duas passagens, 2 Cor 12:7-10 e Gal 4:14-15, Paulo alude a alguma circunstância ou aflição que dificultava seu ministério; mas, como ele não diz o que era e o chama apenas de “estaca na carne” (ou “espinho na carne”), têm sido feitas numerosas conjecturas. Esta é uma daquelas questões em que, como bem observa Dean Stanley, “a obscuridade para nós se deve precisamente ao fato de que era clara para os contemporâneos.” As explicações propostas ao longo do tempo podem ser divididas em três classes: 1) memória de seu passado pecaminoso — assim pensaram Lutero, Calvino e outros reformadores; 2) calamidades externas — quer suas perseguições e sofrimentos, quer seus opositores judaizantes, como pensavam Crisóstomo e os Padres Gregos; porém alguns comentaristas antigos, medievais e modernos ficaram insatisfeitos com essas explicações por não atenderem à dificuldade, e favoreceram 3) algum mal corporal. Quase todo transtorno — pleurisia, cálculo renal, deficiência de fala, hipocondria, dor de cabeça, dor de ouvido, epilepsia, oftalmia aguda — foi sugerido e defendido pelos padres e escolásticos. A tradição apoia a ideia de que o “espinho” era algum tipo de dor na cabeça. Segundo a opinião moderna, a escolha fica entre epilepsia e oftalmia aguda. A favor da primeira está o modo de vida que Paulo levava, seus êxtases, seu entusiasmo seguido de depressão, o enorme desgaste nervoso; tudo isso poderia abalar seu sistema. Mas contra tal noção pesa a atividade física de Paulo, sua mente equilibrada, seu autocontrole e sua confiança. Nenhuma objeção tão forte parece existir contra a oftalmia aguda — doença bastante comum no Oriente. Poderia bem tê-la causado, no seu caso, a luz intensa que lhe incidiu sobre os olhos na conversão, tornando-se ou pelo menos não diminuindo com sua vida errante e laboriosa. Há muitas indicações de que essa interpretação do “espinho” é a correta. Paulo diz que os gálatas teriam arrancado seus próprios olhos e dado a ele, Gal 4:15; a própria palavra que emprega, em 2 Cor 12:7 — “estaca” e não “espinho” —, como observa Canon Farrar, “expressaria de modo muito apropriado a dor incisiva da oftalmia, que é como se uma réstia entrasse no olho.” A deformidade que isto causa o teria tornado objeto de desprezo e repulsa, como ele próprio representa ter sido. Gal 4:14; 2 Cor 10:10. O fato de Paulo não reconhecer o sumo sacerdote, Acts 23:5; seu receio de ficar só, mostrado por alusões que faz à isso como provação, 1 Thess 3:1; 2 Tim 4:16; sua expressão “Vedes com que letras grandes escrevo a vós de meu próprio punho,” Gal 6:11; o emprego de um amanuense para a maior parte de suas epístolas, cf. Rom 16:22 — são fatos que apontam na mesma direção. Aceitando essa interpretação, que luz ela lança sobre a vida de Paulo! Quanto eleva a nossa concepção de seu heroísmo! Quanto aumenta nosso respeito por sua obra! Vemos que ele não podia mover-se nem escrever como desejava, mas dependia de outros; e, contudo, não obstante seu sofrimento e suas perseguições, sua visão turvada e seu labor interrompido, esforçou-se e trabalhou para seu Mestre até a morte.

Fontes

  • Easton's Bible Dictionary (1897)
  • Schaff's Dictionary of the Bible (1880)

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