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Verbete bíblico

ORAR, ORAÇÃO

ORAR, ORAÇÃO — o ato mais essencial da devoção privada e do culto público em todas as eras e nações. Está enraizado e fundamentado na constituição moral e religiosa do homem, é ordenado por Deus e recomendado pelos exemplos mais eminentes. É falar com Deus e o…

Tradução/adaptação em português realizada pela Bíblia Vida a partir de fontes históricas identificadas abaixo. As fontes são apresentadas separadamente.

Hastings Dictionary of the Bible

Hastings Dictionary of the Bible

ORAR, ORAÇÃO — o ato mais essencial da devoção privada e do culto público em todas as eras e nações. Está enraizado e fundamentado na constituição moral e religiosa do homem, é ordenado por Deus e recomendado pelos exemplos mais eminentes. É falar com Deus e oferecer-Lhe nossas petições por misericórdias necessárias e nossos agradecimentos por misericórdias recebidas. Abrange invocação, súplica, intercessão e ação de graças (1 Tim 2:1). Pode ser mental ou vocal, privado ou público, no retiro ou em família ou na casa de Deus. Somos mandados orar pelos outros tanto quanto por nós mesmos (Tg 5:16); pelos reis e por todos os que estão em autoridade (1 Tim 2:2); pelos parentes, amigos e até pelos nossos inimigos, perseguidores e caluniadores (Mat 5:44). Deus é o único objeto da oração e do culto (Mat 4:10; Deut 6:13; Num 10:20). Podemos orar por todas as coisas necessárias ao corpo e à alma, pelo nosso pão diário assim como por todas as misericórdias espirituais. A oração deve ser dirigida a Deus Pai, em nome do Filho, por meio do Espírito Santo. Mas, uma vez que o Cristo e o Espírito Santo são estritamente divinos em essência e caráter, também podem ser diretamente abordados em oração (cf. At 7:59-60; 1 Cor 1:2; Fil 2:9). Orar em nome de Cristo significa orar em harmonia com o seu Espírito, confiando na sua mediação todo-poderosa, com humildade e resignação à santa vontade de Deus. Tais orações serão sempre atendidas da melhor forma e no melhor tempo por Deus (o que muitas vezes difere das nossas visões de curto alcance) e terão sempre um efeito salutar na alma de quem ora (cf. Mat 6:6; Mat 7:7-12; Eze 21:22; João 16:23-24; At 11:26; Tg 5:15). O Espírito Santo nos capacita a orar corretamente (Rom 8:26). Todos os grandes santos de Deus foram fervorosos e poderosos na oração — Abraão (Gên 20:17), Jacó (Gên 32:26-31), Moisés (Num 11:2; Deut 9:19-20), Josué (Jos 10:12), Samuel (1 Sam 12:18), Davi (todos os seus Salmos), Elias (1 Reis 17:1; 1 Reis 18:42; 1 Reis 18:45; Tg 5:17-18), Eliseu (2 Reis 4:33-34), Ezequias (2 Reis 19:15-20; 2 Reis 20:2-6), Daniel (Dan 6:10), Ana (1 Sam 1:12), Ana (Lucas 2:37), e os apóstolos (At 1:14; Jud 6:24; At 2:42; At 4:31; Am 6:4; Lev 8:15; Neh 12:8; Jos 12:12; At 16:25-26; At 20:36; Jud 21:5; Rom 1:9; 1 Tess 5:17). O próprio Salvador frequentemente se retirava a um lugar solitário para orar (Mar 1:35; Luc 5:16; Mat 14:23; Mat 26:39) e ensinou seus discípulos a orar (Mat 6:9-13; Luc 11:2-4). A postura do corpo na oração é indiferente. A oração pode ser feita de joelhos, em pé ou prostrado, com os olhos fechados ou levantados para o céu, com as mãos dobradas, entrelaçadas ou estendidas. O essencial é a atitude reverente do espírito, que naturalmente se expressará de uma forma ou de outra, conforme o estado de sentimento e os costumes da época e do país. A duração da oração também não é essencial. Deus olha para o coração. Melhor poucas palavras com muita devoção do que muitas palavras com pouca devoção (ver Mat 6:7). A oração do publicano no templo (Luc 18:13) e a petição do ladrão penitente (Luc 23:42) foram muito curtas e muito eficazes. As objeções à oração procedem de teorias ateísticas e fatalistas. A oração implica a existência de Deus e a responsabilidade do homem, e não tem sentido para quem nega qualquer um desses dois. É mais natural que Deus, que é infinitamente misericordioso, responda à oração de seus filhos do que que pais terrenos atendam aos pedidos de seus filhos (Mat 7:11). Ainda assim, nossas orações foram previstas por Ele, como todos os outros atos livres, e incluídas em seu plano eterno. Apesar de todas as objeções, os homens oram por instinto universal. A resposta às objeções é que oramos a uma Pessoa viva e amorosa, próxima, conhecedora dos nossos pensamentos e capaz de controlar todas as coisas — Aquele que se declarou ouvinte de oração e que fez dela uma condição na qual é bom para Ele operar. A essência da fé na oração é que a mente divina é acessível à súplica e que a vontade divina é susceptível de ser movida. A oração depende da vontade de Deus, mas não a determina. O homem aplica, Deus atende; o homem pede, Deus concede. A oração tem um valor subjetivo: é necessária à piedade individual, produz solenidade, ilumina e vivifica a consciência, ensina dependência, dá verdadeiros conceitos de Deus e produz em nós tal mudança que torna consistente o ato de Deus mudar seu curso para conosco. Na família, a oração intensifica e exige devoção, assegura ordem doméstica, fortalece o governo parental e promove a religião. Objetivamente, a Bíblia e a história cristã abundam em exemplos de oração atendida. Os principais argumentos a favor de formas de oração são que elas têm sido de uso quase universal; que guiam os adoradores sem forçá-los a depender dos humores do líder; onde são usadas, todos sabem o que se deve dizer e fazer; asseguram provisão para ministros não instruídos; preservam dignidade, decência e harmonia, e previnem ostentação excessiva, liberdade arbitrária, enunciação imprópria, absurda, extravagante, confusa e impia, e contra cansaço e desatenção; unem corações e línguas de todos os adoradores, de modo que não adoram por procuração; unem diferentes idades da Igreja e preservam a verdadeira doutrina e disciplina. A oração espontânea (desde que não impulsiva e não despreparada) é alegada como mais particular do que formas gerais podem ser: assegura liberdade, fervor, espontaneidade e adaptação às circunstâncias; é menos formal e monótona e ajusta-se às mudanças de linguagem e de opiniões.

Fontes

  • Hastings Dictionary of the Bible (1898)

Conteúdo histórico de domínio público, disponibilizado conforme a licença e a atribuição do dataset utilizado.