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Verbete bíblico

Parábola

(Gr. parabole), colocar ao lado; uma comparação; equivalente ao Heb. mashal, uma similitude. No Antigo Testamento isto é usado para denotar (1) um provérbio (1 Sam. 10:12; 24:13; 2 Chr. 7:20), (2) uma declaração profética (Num. 23:7; Ezek. 20:49), (3) um dito…

Tradução/adaptação em português realizada pela Bíblia Vida a partir de fontes históricas identificadas abaixo. As fontes são apresentadas separadamente.

Easton's Bible Dictionary

Easton's Bible Dictionary

(Gr. parabole), colocar ao lado; uma comparação; equivalente ao Heb. mashal, uma similitude. No Antigo Testamento isto é usado para denotar (1) um provérbio (1 Sam. 10:12; 24:13; 2 Chr. 7:20), (2) uma declaração profética (Num. 23:7; Ezek. 20:49), (3) um dito enigmático (Sl. 78:2; Prov. 1:6). No Novo Testamento, (1) um provérbio (Mark 7:17; Luke 4:23), (2) um emblema típico (Heb. 9:9; 11:19), (3) uma similitude ou alegoria (Matt. 15:15; 24:32; Mark 3:23; Luke 5:36; 14:7); (4) ordinariamente, em um sentido mais restrito, uma comparação das coisas terrenas com as celestiais, “uma história terrena com um significado celestial”, como nas parábolas do nosso Senhor. O ensino por parábolas tem sido usado desde os tempos mais remotos. Grande parte do ensino público do nosso Senhor consistiu em parábolas. Ele próprio explica suas razões para isso em sua resposta à pergunta dos discípulos: “Por que lhes fala em parábolas?” (Matt. 13:13-15; Mark 4:11, 12; Luke 8:9, 10). Assim procedeu segundo a regra dos procedimentos divinos, como registrado em Matt. 13:13. As parábolas proferidas pelo nosso Senhor estão todas registradas nos Evangelhos sinópticos (isto é, os três primeiros). O quarto Evangelho não contém parábola propriamente dita, embora a ilustração do bom pastor (John 10:1-16) possua todas as características essenciais de uma parábola. (Ver Lista de Parábolas no Apêndice.)

Hastings Dictionary of the Bible

Hastings Dictionary of the Bible

PARÁBOLA (do grego que significa comparação) é usada na Bíblia tanto em sentido lato quanto em sentido mais restrito. No sentido amplo abrange todas as formas de ensino por analogia e toda linguagem figurada, aplicando‑se a metáforas, quer desenvolvidas em narrativas, Eze 12:22, quer não, Matt 24:32; a provérbios e ditos curtos, 1 Sam 10:12; 1 Sam 24:13; 2 Chr 7:20; Luke 4:23; a enunciados obscuros ou sinais de sentido profético ou simbólico. Num 23:17-18; 1 Sam 24:3; Eze 20:49; Heb 9:9, etc. No sentido mais restrito significa uma narrativa curta de algum fato cotidiano, pela qual se comunica ao ouvinte alguma verdade espiritual elevada. Nesse sentido a parábola difere — Da fábula, por sua finalidade superior de ilustrar uma verdade espiritual e pela possibilidade e probabilidade intrínsecas de sua narrativa fictícia, que podia ter acontecido ainda que talvez não tenha acontecido realmente; enquanto a fábula usa o maravilhoso e o impossível (animais e plantas que pensam, falam, agem) para ensinar máximas de prudência e moralidade inferior, as parábolas de Cristo mantêm‑se sempre dentro dos limites da experiência comum. A parábola difere da alegoria pelo seu modo de significar: sua ideia não é representada explicitamente, mas simplesmente sugerida. A alegoria é autoexplicativa, as personagens imaginárias são nomeadas e executam atos que declaram o sentido; enquanto a parábola deve ser interpretada tendo em conta quem a pronuncia e a quem se dirige. A alegoria diz em si o que significa; a parábola recebe todo o seu sentido da situação que a originou. Para quem não conhece Cristo, a parábola do Semeador não contém além de uma experiência comum; mas para quem conhece o Homem sentado no barco e falando à multidão na praia, essa parábola revela uma sublime verdade espiritual. Dada essa peculiaridade, torna‑se fácil entender o significado da parábola no ensino de Cristo e derivar a regra para sua interpretação. “O propósito de nosso Senhor ao ensinar por parábolas era duplo — revelar e ocultar a verdade: revelar aos que realmente buscavam a verdade; ocultar àqueles que não desejavam tal conhecimento, assim recompensando os primeiros e punindo os últimos.” — Schaff. Ao que tem, a parábola dá mais; mas tira do que não tem. Nenhuma ruminação sobre seus detalhes trará por si a sua interpretação, pois, embora a ideia possa refletir‑se muitas vezes nos contornos da narrativa, ela não está presente nas palavras: é uma luz lançada sobre as palavras vinda de fora, da situação, do falante. O ensino por parábolas é método antigo. Há instâncias marcantes no Antigo Testamento — a repreensão de Natã a Davi, 2 Sam 12:1-4; a mulher de Tekoá, 2 Sam 14:6; a censura a Acabe, 1 Kgs 20:39; a denúncia de Isaías, Isa 5:1-7 — e, mais tarde, o método gozou de grande favor entre os mestres hebreus. Mas atingiu sua perfeição na aplicação que teve no ensino de Cristo. Mateus apresenta, em Matt 13, sete parábolas que representam as várias fases do reino de Deus e sua relação com o mundo: (1) a parábola do Semeador, ou o começo do reino e sua aceitação ou rejeição pelos diferentes tipos de homens; (2) a parábola do Joio, ou o reino dos céus em conflito com o reino de Satanás; (3) a parábola do Grão de Mostarda e (4) a parábola do Fermento, ou o crescimento do reino dos céus extensivamente, abrangendo todas as nações, e intensivamente, permeando todas as formas da vida humana; (5) a parábola do Tesouro Escondido; (6) a parábola da Pérola de Grande Valor; e (7) a parábola da Rede lançada ao Mar, ou a relação entre o reino dos céus e o indivíduo e seus esforços para compreendê‑lo e desenvolvê‑lo. As parábolas do N.T. incluem: O Semeador. Matt 13:3-8; Mark 4:3-8; Luke 8:5-8. O Trigo e o Joio. Matt 13:24-30. O Grão de Mostarda. Matt 13:31-32; Mark 4:30-32. O Fermento. Matt 13:33. A Semente lançada à terra e crescendo secretamente. Mark 4:26-29. O Tesouro Escondido. Matt 13:44. A Pérola de Grande Valor. Matt 13:45-46. A Rede lançada ao mar. Matt 13:47-48. A Ovelha Perdida. Matt 18:12-13; Luke 15:4-6. O Servo Incompassivo. Matt 18:23-34. Os Dois Devedores. Luke 7:41-42. O Bom Samaritano. Luke 10:30-35. O Amigo Importuno. Luke 11:5-8. O Rico Insensato. Luke 12:16-20. O Retorno do Esposo. Luke 12:35-40. A Figueira. Luke 13:6-9. O Grande Banquete. Luke 14:16-24. A Moeda Perdida. Luke 15:8-9. O Filho Pródigo. Luke 15:11-32. O Administrador Infiel. Luke 16:1-8. O Rico e Lázaro. Luke 16:19-31. O Juiz Iníquo. Luke 18:2-5. O Fariseu e o Publicano. Luke 18:10-13. Os Talentos. Matt 25:14-30. As Ovelhas e os Bodes. Matt 25:31-46. O número de parábolas nos Evangelhos varia conforme a acepção do termo. Greswell conta 27; Trench, 30; Plumptre, 31; outros, 50. Mateus e Lucas nos dão a maior parte; Marcos incide mais sobre os atos do que sobre os discursos de Cristo. João não tem parábolas propriamente ditas; ele as tomou como conhecidas dos Evangelhos anteriores e nos oferece em lugar delas os discursos mais elevados do Senhor sobre sua relação com o Pai. As melhores obras especiais sobre as parábolas são de Lisco, Greswell, Trench, Arndt, Arnot, Stier. Nosso Senhor mesmo explicou a parábola do Semeador e a do Trigo e do Joio. Sua explicação deve ser a norma para regular e medir nossas interpretações.

Schaff's Dictionary of the Bible

Schaff's Dictionary of the Bible

PARÁBOLA (do grego que significa comparação) é usada na Bíblia em sentido mais amplo e mais restrito. No primeiro caso compreende todas as formas de ensino por analogia e todas as formas de linguagem figurada, aplicando‑se a metáforas, quer sejam desenvolvidas em narrativas, (Ezequiel 12:22), quer não (Mateus 24:32); a provérbios e outros ditos breves (1 Samuel 10:12; 1 Samuel 24:13; 2 Crônicas 7:20; Lucas 4:23); e a expressões enigmáticas ou sinais de significado profético ou simbólico (Números 23:17-18; 1 Samuel 24:3; Ezequiel 20:49; Hebreus 9:9, etc.). No segundo caso significa uma narrativa curta de algum acontecimento quotidiano, por meio da qual alguma grande verdade espiritual é transmitida ao ouvinte. Neste sentido a parábola difere — Da fábula, por seu objetivo superior de ilustrar verdade espiritual, e pela possibilidade intrínseca e probabilidade de sua narrativa fictícia, que poderia ter acontecido, embora talvez não tenha ocorrido de fato; enquanto a fábula usa o maravilhoso e mesmo o impossível (animais e plantas que pensam, falam, agem) para ensinar máximas de prudência e moralidade inferior, as parábolas de Cristo mantêm‑se sempre dentro dos limites da experiência simples e cotidiana. A parábola difere da alegoria quanto ao seu significado: sua ideia não é representada, mas simplesmente sugerida. A alegoria é autointerpretativa, as personagens imaginárias sendo nomeadas e praticando atos que declaram o significado; enquanto a parábola deve ser interpretada por meio do conhecimento daquele que a pronuncia e daqueles a quem se dirige. A alegoria em si diz o que quer dizer; a parábola recebe todo o seu sentido da situação que a chamou à existência. Para quem não conhece o Cristo, a parábola do Semeador não contém nada além de uma experiência quotidiana comum; mas para quem conhece o Homem sentado ali no barco e falando à multidão na praia, essa parábola revela uma sublime verdade espiritual. Dada essa peculiaridade da natureza da parábola, é fácil entender o seu significado no ensino do Cristo e fácil derivar a lei para a sua interpretação. “O propósito de nosso Senhor ao ensinar por parábolas era duplo — revelar e ocultar a verdade: revelar aos que realmente buscavam a verdade, ocultar daqueles que não desejavam tal conhecimento, assim recompensando os primeiros e punindo os últimos.” — Schaff. Ao que tem, a parábola dá mais; mas tira do que não tem. Nenhuma meditação sobre seus detalhes jamais trará o significado, pois, embora a ideia possa refletir‑se mil vezes em cada volta da narrativa, ainda assim não está presente nas palavras: é uma luz lançada sobre as palavras desde fora, desde a situação, desde o orador. Ensinar por parábolas foi um método antigo. Há exemplos marcantes no Antigo Testamento — a palavra de Natã a Davi (2 Samuel 12:1-4); a mulher de Tecoá (2 Samuel 14:6); a repreensão a Acabe (1 Reis 20:39); a denúncia de Isaías (Isaías 5:1-7) — e mais tarde o método teve grande predileção entre os mestres hebreus. Mas atingiu sua perfeição na aplicação que recebeu no ensino de Cristo. Mateus apresenta, em Mateus 13, sete parábolas que representam os diversos estágios do reino de Deus e sua relação com o mundo: (1) a parábola do Semeador, ou o começo do reino e sua recepção ou rejeição pelas diferentes classes de homens; (2) a parábola do Joio, ou o reino dos céus em conflito com o reino de Satanás; (3) a parábola do Grão de Mostarda e (4) a parábola do Fermento, ou o crescimento do reino dos céus extensivamente, compreendendo todas as nações, e intensivamente permeando todas as formas da vida humana; (5) a parábola do Tesouro Escondido; (6) a parábola da Pérola de grande preço; e (7) a parábola da Rede lançada ao mar, ou a relação entre o reino dos céus e o homem individual e seus esforços para apreendê‑lo e desenvolvê‑lo. As parábolas que ocorrem no Novo Testamento são: O Trigo e o Joio (Mateus 13:24-30). O Grão de Mostarda (Mateus 13:31-32; Marcos 4:30-32). O Fermento (Mateus 13:33). A Semente lançada à terra e crescendo secretamente (Marcos 4:26-29). O Tesouro Escondido (Mateus 13:44). A Pérola de grande preço (Mateus 13:45-46). A Rede lançada ao mar (Mateus 13:47-48). A Ovelha perdida (Mateus 18:12-13; Lucas 15:4-6). O Servo sem misericórdia (Mateus 18:23-34). Os Dois Devedores (Lucas 7:41-42). O Bom Samaritano (Lucas 10:30-35). O Amigo importuno (Lucas 11:5-8). O Rico tolo (Lucas 12:16-20). O Retorno do esposo (Lucas 12:35-40). A Figueira (Lucas 13:6-9). O Grande Banquete (Lucas 14:16-24). A Moeda perdida (Lucas 15:8-9). O Filho pródigo (Lucas 15:11-32). O Administrador injusto (Lucas 16:1-8). O Rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). O Juiz injusto (Lucas 18:2-5). O Fariseu e o Publicano (Lucas 18:10-13). As Minas (Lucas 19:12-27). Os Trabalhadores da vinha (Mateus 20:1-16). Os Dois Filhos (Mateus 21:28-30). A Vinha entregue a lavradores (Mateus 21:33-39; Marcos 12:1-9; Lucas 20:9-15). O Banquete de casamento (Mateus 22:2-14). As virgens prudentes e as loucas (Mateus 25:1-13). Os Talentos (Mateus 25:14-30). as Ovelhas e os Bodes (Mateus 25:31-46). O número de parábolas nos Evangelhos varia conforme a amplitude dada ao termo. Greswell conta 27; Trench, 30; Plumptre, 31; outros, 50. Mateus e Lucas nos dão a maior parte das parábolas. Marcos enfatiza mais os atos do que os discursos de Cristo. João não tem parábolas propriamente ditas; ele as tomou por supostas nos Evangelhos anteriores e nos dá em lugar delas aqueles discursos superiores de nosso Senhor sobre sua relação com o Pai. As melhores obras especiais sobre as parábolas são de Lisco, Greswell, Trench, Arndt, Arnot, Stier. O próprio Senhor explicou a parábola do Semeador e a do Trigo e do Joio. Sua explicação deve ser a norma pela qual nossas interpretações devem ser reguladas e medidas.

Smith's Bible Dictionary

Smith's Bible Dictionary

(A palavra parable em grego parabole (parabole), que significa colocar ao lado ou junto, uma comparação; uma parábola é, portanto, literalmente, um colocar ao lado, uma comparação, uma semelhança, uma ilustração de um assunto por outro.—McClintock e Strong.) Como usada no Novo Testamento tinha uma aplicação muito ampla, sendo aplicada às vezes aos provérbios mais curtos (1 Samuel 10:12; 24:13; 2 Crônicas 7:20), às vezes a declarações proféticas obscuras (Números 23:7,18; 24:3; Ezequiel 20:49), às vezes a máximas enigmáticas (Salmos 78:2; Provérbios 1:6) ou a metáforas ampliadas em narrativa (Ezequiel 12:22). No próprio Novo Testamento a palavra é usada com igual latitude (Mateus 24:32; Lucas 4:23; Hebreus 9:9). Frequentemente era usada num sentido mais restrito para denotar uma narrativa curta sob a qual alguma verdade importante está velada. Deste tipo eram as parábolas de Cristo. A parábola difere da fábula (1) por excluir criaturas brutas e inanimadas que saem das leis de sua natureza e falam ou agem como homens; (2) por seu significado ético mais elevado. Difere da alegoria em que esta, com sua personificação direta de ideias ou atributos, e os nomes que as designam, realmente não envolve comparação. As virtudes e vícios da humanidade aparecem como num drama, em seu próprio caráter e traje. A alegoria é autoexplicativa; a parábola exige atenção, discernimento, às vezes uma explicação efetiva. Difere de um provérbio pois deve incluir algum tipo de semelhança, enquanto o provérbio pode afirmar, sem semelhança, alguma generalização ampla da experiência.—ED.) Durante alguns meses Jesus ensinou nas sinagogas e na orla do mar da Galileia como antes ensinara em Jerusalém, e ainda sem parábolas. Mas então ocorreu uma mudança. O ensino direto foi recebido com escárnio, descrença e dureza, e ele pareceu por algum tempo abandoná‑lo pelo que tomou a forma de parábolas. O valor das parábolas como instrumentos de ensino reside em serem ao mesmo tempo um teste de caráter e em apresentarem a cada forma de caráter aquilo que, como penalidade ou bênção, lhe é adaptado. Elas retiram a luz daqueles que amam as trevas. Protegem a verdade que encerram do escárnio do zombador. Deixam algo mesmo com o descuidado que pode ser interpretado e compreendido depois. Revelam, por outro lado, os buscadores da verdade. Estes pedem o significado da parábola, e não repousarão até que o mestre a explique. Deste modo a parábola cumpria sua função, encontrava os ouvintes adequados e os conduzia adiante. Na maioria das parábolas é possível traçar algo como uma ordem.

Fontes

  • Easton's Bible Dictionary (1897)
  • Hastings Dictionary of the Bible (1898)
  • Schaff's Dictionary of the Bible (1880)
  • Smith's Bible Dictionary (1863)

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