Bíblia Vida
Entrar

Verbete bíblico

A LEI

A LEI — Este termo é aplicado no Novo Testamento à antiga dispensação, em distinção da nova; à dispensação sob a lei em distinção da dispensação sob o evangelho; à dispensação por Moisés em distinção da dispensação por Cristo. João 1:17; Atos 25:8; Hebreus 10:…

Tradução/adaptação em português realizada pela Bíblia Vida a partir de fontes históricas identificadas abaixo. As fontes são apresentadas separadamente.

Hastings Dictionary of the Bible

Hastings Dictionary of the Bible

A LEI — Este termo é aplicado no Novo Testamento à antiga dispensação, em distinção da nova; à dispensação sob a lei em distinção da dispensação sob o evangelho; à dispensação por Moisés em distinção da dispensação por Cristo. João 1:17; Atos 25:8; Hebreus 10:1-18. Além desse sentido geral, que nunca é completamente perdido de vista pelos escritores do Novo Testamento, o termo refere‑se mais especificamente à legislação mosaica, incluindo a moral, Mateus 5:17, a cerimonial, Efésios 2:15, e a política ou civil, com ênfase mais especial na primeira. Às vezes Paulo usa a palavra “lei” (sem o artigo) em sentido mais amplo — de princípio, regra de conduta moral — e fala dos gentios como tendo tal lei escrita em sua consciência ou sendo lei para si mesmos. Romanos 2:14-15. A lei moral da antiga dispensação, incorporada nos dez mandamentos (o Decálogo), foi promulgada com extraordinária solenidade no monte Sinai por Deus mesmo, sob a manifestação de sua santa majestade, e registrada por seu próprio dedo em duas tábuas de pedra. Êxodo 19. Depois foi conservada pelos judeus na arca da aliança, no santo dos santos do tabernáculo e do templo, e, espalhando‑se dos judeus entre outras nações, constitui o fundamento indispensável e imóvel de toda ordem e bem‑estar social. Pois, embora o Decálogo tenha a forma de lei, sua história prova que é algo mais do que meras regras de conduta: é uma revelação da natureza de Deus — “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”, Levítico 19:2; e por isso Cristo diz: “Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim para destruir, mas para cumprir.” Ver Dez Mandamentos. A lei cerimonial, que prescreve as formas do culto hebraico, público e privado, os modos e tempos de sacrifício, jejum, purificação, oração, festas etc., repousava sobre a lei moral e constituía uma transição para a lei política ou civil. Muitas de suas ordenanças — por exemplo, as relativas à dieta e purificação — tinham além do sentido religioso um propósito social e sanitário. Por meio dessa lei cerimonial os hebreus foram formados numa nação distinta de todas as outras, e cada traço do ritual servia para lembrá‑los de que eram o povo escolhido de Deus. Embora Deus fosse certamente o Deus de todas as nações, ele era por um pacto especial o Deus de Israel. A lei cerimonial era para os judeus um dever solene e, ao mesmo tempo, uma magnífica promessa. Todo o seu caráter era típico e profético; sua direção apontava para Cristo, e quando Cristo veio foi por ele cumprida e abolida, pois “não estamos debaixo da lei, mas da graça.” Romanos 6:14-15; Atos 7:4; Cântico 4:6; Gálatas 3:13; Gálatas 4:25. A lei política ou civil da constituição mosaica, que fez dos hebreus um povo e fundou um Estado, era — como todas as leis políticas ou civis devem ser — a expressão de um certo estágio de desenvolvimento histórico, e como tal sujeita às leis históricas de crescimento, decadência e destruição. Porém essa lei civil estava em perfeita harmonia com a lei moral e cerimonial, e foi formada em conformidade com os mesmos princípios — os princípios da teocracia. A lei civil refere‑se a certas relações entre homem e homem. Não obstante, em todo ponto da ordem política do Estado hebraico há uma referência direta a Deus como Rei. A base de todo o sistema é a soberania absoluta de Deus, e o princípio segundo o qual os detalhes são elaborados é, primeiro, a relação entre cada indivíduo e Deus, e depois a relação entre indivíduo e indivíduo. Isso é evidente, por exemplo, nas ordenanças relativas à propriedade. Na república romana toda a terra era posse do Estado; nas monarquias feudais da Europa medieval toda a terra era posse do rei; na teocracia dos hebreus toda a terra pertencia a Jeová: “A terra é minha, e vós sois peregrinos e forasteiros comigo.” Levítico 25:23. Daí o pagamento do dízimo, Levítico 27:23-26; a oferta das primícias, Deuteronômio 26:1-10; a impossibilidade de alienar a propriedade territorial, o retorno da terra ao seu possuidor original no jubileu etc. Mas não só a terra era propriedade absoluta de Jeová; também as pessoas de Israel lhe pertenciam. Daí a consagração e resgate do primogênito, Êxodo 13:2-13; o pagamento do meio siclo na numeração do povo “como resgate pelas suas almas ao Senhor”, Êxodo 30:11-16; o poder muito limitado que um mestre tinha sobre escravos hebreus, Levítico 25:39-46, etc. Embora a lei, no sentido mais amplo — denotando toda a constituição mosaica — nos apareça como um sistema maravilhoso tanto quanto à completude quanto quanto à coerência, é, no entanto, essencial para sua plena compreensão lembrar que, assim como ela própria veio preparar o caminho para o evangelho, ela também teve precursores e teve o caminho preparado por meio da aliança abraâmica e suas promessas. Que, de modo geral, grande parte do material da legislação mosaica existia antes de Moisés pode ser inferido das penas contra homicídio e adultério. Gênesis 9:6; Gênesis 38:24; da lei do levirato, Gênesis 38:8; da distinção entre animais limpos e impuros, Gênesis 8:20; e da provável observância do sábado. Êxodo 16:23; Gênesis 2:3.

Fontes

  • Hastings Dictionary of the Bible (1898)

Conteúdo histórico de domínio público, disponibilizado conforme a licença e a atribuição do dataset utilizado.