Easton's Bible Dictionary
Easton's Bible Dictionary
Os dois livros de Reis formavam originalmente um só livro nas Escrituras hebraicas. A divisão atual em dois livros foi feita primeiramente pela Septuaginta (LXX), que agora, com a Vulgata, numera‑os como terceiro e quarto livros dos Reis, sendo os dois livros de Samuel considerados primeiro e segundo livros dos Reis. Contêm os anais da comunidade judaica desde a ascensão de Salomão até a subjugação do reino por Nabucodonosor e os babilônios (aparentemente um período de cerca de quatrocentos e cinquenta e três anos). Os livros das Crônicas são mais abrangentes em seu conteúdo do que os Reis. Estes sincronizam com 1 Chr. 28–2 Chr. 36:21. Enquanto nas Crônicas se dá maior destaque ao sacerdócio ou ao ofício levítico, nos Reis se dá maior destaque ao aspecto real. A autoria desses livros é incerta. Há porções deles e de Jeremias quase idênticas, por ex.: 2 Kings 24:18-25 e Jer. 52; 39:1-10; 40:7-41:10. Existem também muitas coincidências não intencionais entre Jeremias e Reis (2 Kings 21-23 e Jer. 7:15; 15:4; 19:3, etc.), e eventos registrados em Reis dos quais Jeremias teve conhecimento pessoal. Esses fatos dão alguma base à tradição de que Jeremias foi autor dos livros de Reis. Mas a suposição mais provável é que Esdras, após o Cativeiro, os compilou a partir de documentos talvez escritos por Davi, Salomão, Natã, Gad e Iddo, e que os ordenou na forma em que agora existem. Na divisão tripartida das Escrituras pelos judeus, estes livros são classificados entre os “Profetas”. São frequentemente citados ou aludidos por nosso Senhor e pelos apóstolos (Matt. 6:29; 12:42; Luke 4:25, 26; 10:4; comp. 2 Kings 4:29; Mark 1:6; comp. 2 Kings 1:8; Matt. 3:4, etc.). As fontes da narrativa referem‑se a: (1) “o livro dos atos de Salomão” (1 Kings 11:41); (2) o “livro das crônicas dos reis de Judá” (14:29; 15:7, 23, etc.); (3) o “livro das crônicas dos reis de Israel” (14:19; 15:31; 16:14, 20, 27, etc.). A data de sua composição situa‑se entre 561 a.C., data do último capítulo (2 Kings 25), quando Joiacim foi libertado do cativeiro por Evil‑Merodac, e 538 a.C., data do decreto de libertação por Ciro.
Hastings Dictionary of the Bible
Hastings Dictionary of the Bible
LIVROS DOS REIS. No cânon hebraico formavam um só livro. Seguem‑se aos livros de Samuel, que também são chamados livros dos Reis. De fato, toda a narrativa desde o início dos Juízes até o fim dos Reis corre como um único relato contínuo. 1 Reis começa a história hebraica na época em que Davi era velho e avançado em anos, cerca de 1015 a.C.; 2 Reis termina com o começo do cativeiro de Judá na Babilônia, 586 a.C., e com a destruição do templo, embora haja menção da libertação e morte de Jeoaquim mais de 26 anos depois. Os dois livros tratam especialmente da promessa teocrática de 2 Sam 7:12 — promessa que Deus fielmente cumpriu e que aponta para Cristo, Rei e Conquistador como Davi, Príncipe da paz, Construtor do templo de Deus e Rei duradouro — e tratam a história do ponto de vista régio, mostrando o mal da cisão e do culto aos ídolos estabelecidos por razões políticas, como por Salomão, 1 Reis 11, e Jeroboão, 1 Reis 12:26. Grande ênfase é posta no pecado da idolatria como ruptura da aliança com Jeová que fazia de Israel um povo peculiar. O reinado de Salomão é descrito com relato minucioso do templo glorioso e das casas reais. Em seguida vem a revolta da porção maior e mais populosa da terra que formou o reino de Israel, e nos é dada informação exata, embora sucinta, sobre a idolatria do reino do norte, sobre a obra dos grandes profetas entre eles — uma das partes mais importantes da história — sobre as frequentes mudanças de dinastia, nada menos que sete, que forneceram 19 reis, todos ímpios, durante os 253 anos de sua existência. O cativeiro dos melhores do país encerrou a história desse reino. Os mesmos livros também mostram que a casa real de Davi continuou ininterrupta por uma série de 19 reis, reinando em Jerusalém cerca de 130 anos a mais, até que Judá foi punida por sua idolatria. As guerras dos reinos rivais são descritas, e os resultados desastrosos de recorrer a ajuda estrangeira — primeiros em ceder à idolatria e depois em arruinar ambos os povos — são mostrados. A prosperidade de vários reis piedosos de Judá contrasta com as calamidades dos pecadores em Israel. A história mostra o modo pelo qual Deus conduziu seu povo, desde o auge da prosperidade até a queda mais profunda, e que o único caminho de volta à luz do favor da aliança divina é pelo arrependimento. Os livros tratam também da história de nações vizinhas; as últimas descobertas da história antiga concordam notavelmente com o registro inspirado. O autor não pode ser identificado com certeza. A tradição talmúdica atribui‑os a Jeremias; alguns supuseram compilação por Esdras ou Baruc. Os livros, originalmente um só, têm marcada unidade de design, plano e estilo, e foram primeiro divididos na Septuaginta. São em grande parte compilações de documentos existentes e sempre tiveram lugar no cânon judaico. A narrativa concisa é ilustrada, ampliada e confirmada pelos livros de Isaías e Jeremias. Essa história é referida no N.T. Luc 4:25; At 7:47; Rom 11:2; Tg 5:17, e a pesquisa moderna continuamente traz novas evidências da veracidade do relato. O estilo é, em geral, calmo e simples, mostrando grande vigor nas narrativas de eventos marcantes e por vezes rompendo em verdadeira fervura poética.
Fontes
- Easton's Bible Dictionary (1897)
- Hastings Dictionary of the Bible (1898)
Conteúdo histórico de domínio público, disponibilizado conforme a licença e a atribuição do dataset utilizado.