Smith's Bible Dictionary
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originalmente apenas um livro no cânon hebraico; na LXX e na Vulgata correspondem ao terceiro e quarto livros dos Reis (os livros de Samuel sendo o primeiro e o segundo). Deve‑se lembrar que a divisão entre os livros dos Reis e os de Samuel é igualmente artificial, e que, de fato, os livros históricos que começam com Juízes e terminam com 2 Reis apresentam a aparência de uma única obra, oferecendo uma história contínua de Israel desde a época de Josué até a morte de Jehoiachin. Os livros dos Reis contêm a história desde a morte de Davi e a aclamação de Salomão até a destruição do reino de Judá e a desolação de Jerusalém, com um aviso suplementar de um evento que ocorreu após um intervalo de vinte e seis anos — isto é, a libertação de Jehoiachin de sua prisão na Babilônia — e uma ainda mais remota extensão até a morte de Jehoiachin, cujo tempo não se conhece, mas que provavelmente não foi muito posterior à sua libertação. A história, portanto, compreende todo o tempo da monarquia israelita, excluindo os reinados de Saul e Davi. Quanto aos assuntos das nações estrangeiras e à relação de Israel com elas, os relatos históricos nestes livros, embora nos períodos mais antigos escassos, são de grande valor e em notável concordância com as mais recentes adições ao nosso conhecimento da história profana contemporânea. Uma ajuda muito importante para uma correta compreensão da história nestes livros, e para completar seu esboço, encontra‑se nos profetas, especialmente em Isaías e Jeremias. Época em que foram escritos. — Foram indubitavelmente escritos durante o período do exílio, provavelmente depois do vigésimo sexto ano. Autoria. — No tocante à autoria destes livros, apresenta‑se pouca dificuldade. A tradição judaica que os atribui a Jeremias é corroborada pelas mais fortes evidências internas, além das relativas à linguagem. Fontes de informação. — Havia uma série regular de anais de estado tanto para o reino de Judá quanto para o de Israel, que abrangiam todo o tempo compreendido nos livros dos Reis, ou pelo menos até o fim do reinado de Jehoiakim (2 Reis 24:5). Esses anais são constantemente citados nominalmente como “o livro das ações de Salomão” (1 Reis 11:41) e, depois de Salomão, “o livro das Crônicas dos Reis de Judá” ou “de Israel”, por exemplo (1 Reis 14:29; 15:7; 16:5,14,20; 2 Reis 10:34; 24:5), etc.; e é manifesto que o autor dos Reis os teve ambos diante de si ao compilar sua história, na qual os reinados dos dois reinos são harmonizados e esses anais são constantemente invocados. Mas, além desses anais nacionais, existiam, no tempo em que os livros dos Reis foram compilados, obras separadas dos diversos profetas que viveram em Judá e Israel. Autoridade. — Tendo sua autoridade canônica nunca sido contestada, é desnecessário trazer os testemunhos de autenticidade que podem ser encontrados em Josefo, Eusébio, Jerônimo, Agostinho, etc. São contados entre os profetas, na divisão tripartida das Sagradas Escrituras; uma posição em consonância com a suposição de que foram compilados por Jeremias e contêm as narrativas dos diferentes profetas em sucessão. São frequentemente citados por nosso Senhor e pelos apóstolos.