Smith's Bible Dictionary
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(Judas de Queriote). Às vezes é chamado “filho de Simão” (João 6:71; 13:2,26), mas mais comumente ISCARIOTES. (Mateus 10:4; Marcos 3:19; Lucas 6:16) O nome Iscariotes recebeu muitas interpretações, mais ou menos conjecturais. A mais provável é de Ish Kerioth, isto é, “homem de Queriote”, uma cidade na tribo de Judá. (Josué 15:25) Da vida de Judas antes de sua aparição nas listas dos apóstolos nada sabemos com certeza. O que essa aparição implica, contudo, é que ele havia anteriormente se declarado discípulo. Foi atraído, como os outros, pela pregação do Batista, ou por suas próprias esperanças messiânicas, ou pelas “palavras graciosas” do novo Mestre, a deixar a vida anterior e a obedecer ao chamado do Profeta de Nazaré. A escolha não foi feita, devemos lembrar, sem a provisão de seu desfecho. (João 6:64) Os gérmens do mal, muito provavelmente, desenrolaram-se gradualmente. As regras a que os doze estavam sujeitos em sua primeira jornada (Mateus 10:9-10) o protegeram da tentação que teria sido mais perigosa para ele. A nova forma de vida, de que encontramos os primeiros traços em (Lucas 8:3), trouxe essa tentação consigo. Assim que os doze foram reconhecidos como um corpo, viajando de um lado para outro com seu Mestre, recebendo dinheiro e outras ofertas e redistribuindo o que recebiam aos pobres, tornou-se necessário que alguém atuasse como mordomo e almocreve da pequena sociedade, e isso coube a Judas. (João 12:6; 13:29) O camponês galileu ou judeu viu-se encarregado de somas maiores do que antes, e com isso veio a cobiça, a infidelidade, o peculato. Várias vezes mostrou tendência à avareza e ao egoísmo. Isso, mesmo sob as melhores influências, piorou cada vez mais, até que traiu seu Mestre por trinta moedas de prata. Por que tal homem foi escolhido para ser um dos doze? — (1) Havia necessidade, entre os discípulos, como na Igreja agora, de um homem com os talentos que Judas possuía — o talento para administrar os assuntos. (2) Embora provavelmente tenha seguido Cristo a princípio por motivos mistos, como os outros discípulos, teve a oportunidade de se tornar um homem bom e útil. (3) Sem dúvida estava incluído nos planos de Deus que houvesse assim um argumento permanente para a verdade e honestidade do evangelho; pois, se alguma injustiça ou fraude tivesse sido ocultada, teria sido revelada pelo traidor em legítima defesa. (4) Talvez para ensinar à Igreja que Deus pode abençoar e o evangelho pode triunfar mesmo que alguns homens maus entrem no rebanho. Qual foi o motivo de Judas ao trair Cristo? — (1) Ira pela repreensão pública dada por Cristo na ceia na casa de Simão, o leproso. (Mateus 26:6-14) (2) Avareza, cobiça, as trinta moedas de prata. (João 12:6) (3) A reação de um sentimento em uma alma má contra o Santo, cujas palavras e caráter eram contínua repreensão, e que conhecia o coração do traidor. (4) Uma cobiça maior — a ambição de ser tesoureiro, não apenas de alguns poucos discípulos pobres, mas de um grande e esplêndido reino temporal do Messias. Quis precipitar a vinda do reino obrigando Jesus a defender-se. (5) Talvez decepção porque Cristo insistia em anunciar sua morte em vez de receber seu reino. Começou a temer que afinal não haveria reino. (6) Talvez também Judas “abandonou o que lhe parecia causa perdida, e esperou por sua traição ganhar posição de honra e influência no partido farisaico.” O fim de Judas. — (1) Judas, quando viu os resultados de sua traição, “arrependeu-se”. (Mateus 27:3-10) Viu seu pecado sob nova luz, e “sua consciência saltou em fúria.” (2) Fez esforços inúteis para escapar, tentando devolver a recompensa aos fariseus, e quando estes não a aceitaram, ele a lançou aos pés deles e partiu. (Mateus 27:5) Mas, (a) a restituição das moedas não desfez o mal; (b) foi feita em espírito errado — desejo de alívio e não ódio ao pecado; (c) confessou ao partido errado, ou melhor, aos que deveriam ser secundários e não podiam conceder perdão; (d) “a compunção não é conversão.” (3) O dinheiro foi usado para comprar um campo de enterro para estranhos pobres. (Mateus 27:6-10) (4) Judas, em seu desespero, saiu e enforcou-se (Mateus 27:5) em Aceldama, na vertente sul do vale de Hinom, perto de Jerusalém, e no ato caiu por um precipício e foi despedaçado. (Atos 1:18) “E foi para o seu lugar.” (Atos 1:25) “Uma consciência culpada não encontra nem inferno nem perdão.” (5) O arrependimento de Judas pode ser comparado ao de Esaú (Gênesis 27:32-38; Hebreus 12:16-17). É contrastado com o de Pedro. Judas provou que seu arrependimento era falso cometendo imediatamente outro pecado, o suicídio. Pedro provou o seu sendo fiel ao Senhor depois disso. —ED.