Smith's Bible Dictionary
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era filho de Zebedeu, um pescador no Lago da Galileia, e de Salomé, e irmão de Tiago, também apóstolo. Pedro, Tiago e João pertencem ao círculo mais íntimo dos amigos de seu Senhor; mas a João pertence a distinção de ser o discípulo a quem Jesus amava. Ele dificilmente sustenta a noção popular, fomentada pelos tipos recebidos da arte cristã, de uma natureza gentil, dócil, feminina. O nome Boanerges (Marcos 3:17) implica uma veemência, zelo, intensidade, que dava aos que o possuíam a força de filhos do trovão. [James] Os três estão com nosso Senhor quando mais ninguém está, na câmara da morte (Marcos 5:37), na glória da transfiguração (Mateus 17:1), quando ele os adverte da destruição da cidade santa (Marcos 13:3), na agonia do Getsêmani. Quando a traição se consuma, Pedro e João seguem de longe (João 18:15). O conhecimento pessoal que existia entre João e Caifás permite-lhe o acesso ao salão do concílio, ao pretório do procurador romano (João 18:16,19,28). Dali acompanha até o lugar da crucificação, e o Mestre confia-lhe o dever de tornar-se filho para com a mãe que fica desolada (João 19:26,27). É a Pedro e a João que Maria Madalena corre primeiro para anunciar o sepulcro vazio (João 20:2); eles são os primeiros a ir juntos ver o que aquelas palavras estranhas significavam, João correndo com maior ânimo até o túmulo rochoso; Pedro, o menos contido pelo temor, o primeiro a entrar e olhar (João 20:4-6). Por pelo menos oito dias eles permanecem em Jerusalém (João 20:26). Mais tarde, no Mar da Galileia, João é o primeiro a reconhecer, na forma indistinta vista na penumbra da manhã, a presença de seu Senhor ressuscitado; Pedro o primeiro a lançar-se na água e nadar para a margem onde ele estava chamando por eles (João 21:7). As últimas palavras do Evangelho de João nos revelam o profundo afeto que unia os dois amigos. A história dos Atos mostra a mesma união. Eles estão juntos na ascensão e no dia de Pentecostes. Juntos entram no templo como adoradores (Atos 3:1) e protestam contra as ameaças do Sinédrio (Atos 4:13). A perseguição impulsionada por Saulo de Tarso não expulsou João de seu posto (Atos 8:1). Quinze anos após a primeira visita de S. Paulo ele ainda estava em Jerusalém, e ajudou a participar da resolução da grande controvérsia entre os cristãos judeus e gentios (Atos 15:6). Sua história posterior conhecemos apenas pela tradição. Não há dúvida de que saiu de Jerusalém e se estabeleceu em Éfeso, embora o momento seja incerto. A tradição relata que, na perseguição sob Domiciano, foi levado a Roma e ali, por sua ousadia, embora não pela morte, obteve a coroa do martírio. O óleo fervente em que é lançado não tem poder para feri-lo. É então enviado para trabalhar nas minas, e Patmost é o lugar de seu exílio. A ascensão de Nerva livra-o do perigo, e ele retorna a Éfeso. As heresias continuam a manifestar-se, mas ele as combate com o protesto mais forte possível. O próprio momento de sua morte situa-se mais no campo da conjectura do que da história, e as datas atribuídas variam de 89 d.C. a 120 d.C.