Easton's Bible Dictionary
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Existe grande diversidade de opiniões quanto à autoria deste livro. Por evidências internas, como a semelhança de sentimento e linguagem com as dos Salmos e Provérbios (veja Ps. 88 e 89), a preponderância da ideia de “sabedoria” e o estilo e caráter da composição, supõe‑se por alguns que foi escrito no tempo de Davi e Salomão. Outros sustentam que foi escrito pelo próprio Jó, ou por Eliú, ou por Isaías, ou talvez, mais provavelmente, por Moisés, que era “instruído em toda a sabedoria dos egípcios, e poderoso em palavras e em obras” (Acts 7:22). Ele teve oportunidades em Midiã para obter o conhecimento dos fatos relatados. Mas a autoria é inteiramente incerta. Quanto ao caráter do livro, é um poema histórico, um dos maiores e mais sublimes poemas de toda a literatura. Jó foi uma pessoa histórica, e as localidades e nomes foram reais e não fictícios. É “uma das partes mais grandiosas das Escrituras inspiradas, um celeiro celestial de conforto e instrução, a Bíblia patriarcal, e um precioso monumento da teologia primitiva. É para o Antigo Testamento o que a Epístola aos Romanos é para o Novo.” É uma narrativa didática em forma dramática. Este livro aparentemente já era bem conhecido nos dias de Ezequiel, 600 a.C. (Ezek. 14:14). Fez parte das Escrituras sagradas usadas por nosso Senhor e seus apóstolos, e é referido como parte da Palavra inspirada (Heb. 12:5; 1 Cor. 3:19). O assunto do livro é a provação de Jó, sua causa, natureza, resistência e desfecho. Exibe a harmonia das verdades da revelação e dos procedimentos da Providência, que se mostram ao mesmo tempo inescrutáveis, justos e misericordiosos. Mostra a bem‑aventurança dos verdadeiramente piedosos, mesmo em meio a severas aflições, e assim ministra conforto e esperança aos crentes provados de todas as épocas. É um livro de múltipla instrução, e é proveitoso para doutrina, para repreensão, para correção e para educação na justiça (2 Tim. 3:16). Consiste em: (1) Uma introdução histórica em prosa (cap. 1, 2). (2) A controvérsia e sua solução, em poesia (cap. 3–42:6). O lamento desesperado de Jó (cap. 3) é a ocasião da controvérsia que se desenvolve em três ciclos de diálogos entre Jó e seus três amigos. O primeiro ciclo apresenta o início da controvérsia (cap. 4-14); o segundo, o desenvolvimento da controvérsia (15-21); e o terceiro, o auge da controvérsia (22-27). Segue‑se a solução da controvérsia nos discursos de Eliú e no discurso de Jeová, seguido pela humilde confissão de Jó (42:1-6) de sua própria falha e insensatez. (3) A terceira divisão é a conclusão histórica, em prosa (42:7-15). Sir J. W. Dawson, em “The Expositor”, diz: “Parece agora que a linguagem e a teologia do livro de Jó podem ser melhor explicadas supondo‑se tratar‑se de uma porção da literatura mineana [Arábia do Sul] obtida por Moisés em Midiã do que de qualquer outra maneira. Essa visão também concorda melhor do que qualquer outra com suas referências a objetos naturais, à arte da mineração e a outros assuntos.”
Smith's Bible Dictionary
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Este livro deu origem a muita discussão e crítica, alguns crendo que o livro é estritamente histórico; outros que é uma ficção religiosa; outros que é uma composição baseada em fatos. Por alguns, a autoria da obra foi atribuída a Moisés, mas isso é muito incerto. Lutero foi o primeiro a sugerir a teoria que, de uma forma ou de outra, é agora a mais geralmente aceita. Ele diz: “Considero o livro de Jó como uma história verdadeira, contudo não creio que tudo aconteceu exatamente como está escrito, mas que um homem engenhoso, piedoso e erudito o colocou em sua forma presente.” A data do livro é duvidosa, e houveram muitas teorias sobre o assunto. Pode-se considerar como ponto assente que o livro foi escrito muito antes do exílio, provavelmente entre o nascimento de Abraão e o êxodo dos israelitas do Egito — c. 2000–1800 a.C. Se por Moisés, provavelmente foi escrito durante sua permanência em Midiã. “O livro de Jó não é só um dos mais notáveis da Bíblia, mas da literatura. Como se disse da espada de Golias, ‘Não há outra igual;’ nenhuma na literatura antiga ou moderna.” — Kitto. “Um livro que um dia, talvez, será visto erguendo-se sozinho muito acima de toda a poesia do mundo.” — J. A. Froude. “O livro de Jó é um drama, e ainda assim subjetivamente verdadeiro. As duas ideias são perfeitamente consistentes. Pode ter a forma dramática, o interesse dramático, a emoção dramática, e, contudo, ser substancialmente uma narrativa verídica. O autor pode tê‑lo recebido de três maneiras: o escritor pode ter sido testemunha ocular; ou tê‑lo recebido por testemunho quase contemporâneo; ou pode tê‑lo recebido por meio de uma tradição cuja veracidade substancial ele não duvidava. Há abundantes evidências internas de que as cenas e eventos registrados foram cenas e eventos reais para o escritor. Ele apresenta as discussões ou como as ouvira ou como elas haviam sido repetidas muitas vezes em um antigo consenso. Os próprios modos de transmissão mostram a profunda impressão que causaram em todo o Oriente, como um acontecimento verídico e também maravilhoso.” — Tayler Lewis. O propósito do livro. — Stanley diz que “Todo o livro é uma discussão daquele grande problema da vida humana: qual é a intenção da Providência Divina ao permitir que os justos sofram?” “O objetivo direto é mostrar que, embora a bondade tenha uma tendência natural a assegurar uma plena medida de felicidade temporal, ainda assim na sua essência é independente de tal resultado. O egoísmo, de alguma forma, é afirmado como a base sobre a qual repousa toda a bondade aparente. Essa questão é provada no caso de Jó.” — Cook. Estrutura do livro. — O livro consiste de cinco partes: I. Caps. 1–3. Os fatos históricos. II. Caps. 4–31. As discussões entre Jó e seus três amigos. III. Caps. 32–37. A discussão de Jó com Eliú. IV. Caps. 38–41. A teofania — Deus falando do meio da tempestade. V. Cap. 42. O término bem‑sucedido da provação. Está todo em poesia, exceto a introdução e o término. O argumento. —
Fontes
- Easton's Bible Dictionary (1897)
- Smith's Bible Dictionary (1863)
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