Easton's Bible Dictionary
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Expressão provavelmente tomada do Livro da Sabedoria (Apócrifo), para exprimir o fato da revolta de nossos primeiros pais contra Deus, e a consequente culpa e miséria em que eles e toda sua descendência foram envolvidos. A história da Queda está registrada em Gênesis 2 e 3. Essa história deve ser interpretada literalmente. Registra fatos que estão na base de todo o sistema da verdade revelada. É referida por nosso Senhor e seus apóstolos não apenas como verdadeira, mas como fundamento de todas as posteriores dispensações e ações de Deus para com os filhos dos homens. O registro da tentação e queda de Adão deve ser tomado como relato histórico verdadeiro, se quisermos compreender a Bíblia como revelação do propósito misericordioso de Deus. Os efeitos desse primeiro pecado sobre os primeiros pais foram (1) “vergonha”, um sentimento de degradação e contaminação; (2) temor da desaprovação de Deus, ou senso de culpa, e o consequente desejo de se esconder de sua presença. Esses efeitos eram inevitáveis. Provam a perda não apenas da inocência, mas da justiça original e, com ela, do favor e da comunhão com Deus. O estado em que Adão foi reduzido por sua desobediência, no que diz respeito à sua condição subjetiva, foi análogo ao dos anjos caídos. Ele foi totalmente e absolutamente arruinado (segundo Hodge). Mas a incredulidade e desobediência dos nossos primeiros pais não trouxe apenas sobre eles essa miséria e ruína; implicou também as mesmas tristes consequências sobre todos os seus descendentes. (1) A culpa, isto é, a sujeição à punição, daquele pecado vem por imputação sobre todos os homens, porque todos foram representados por Adão na aliança das obras. (Veja IMPUTAÇÃO.) (2) Assim, também, todos os seus descendentes herdam uma natureza corrompida. Em todos, por natureza, há uma tendência inerente e predominante ao pecado. Essa depravação universal é ensinada pela experiência universal. Todos pecam assim que são capazes de ações morais. O testemunho das Escrituras a esse respeito é abundante (Romanos 1; 2; 3:1-19, etc.). (3) Essa depravação inata é total: somos por natureza “mortos em delitos e pecados” e devemos “nascer de novo” antes de podermos entrar no reino (João 3:7, etc.). (4) Resultando dessa “corrupção de toda a nossa natureza” está nossa absoluta incapacidade moral de mudar nossa natureza ou obedecer à lei de Deus. Comentando João 9:3, Ryle observa bem: “Um princípio profundo e instrutivo reside nestas palavras. Elas lançam alguma luz sobre aquela grande questão, a origem do mal. Deus julgou conveniente permitir que o mal existisse para que ele tivesse plataforma para mostrar sua misericórdia, graça e compaixão. Se o homem nunca tivesse caído, não haveria oportunidade de manifestar a misericórdia divina. Mas, ao permitir o mal, por mais misterioso que pareça, as obras de graça, misericórdia e sabedoria de Deus em salvar pecadores foram maravilhosamente manifestadas a todas as suas criaturas. A redenção da igreja de pecadores eleitos é o meio de ‘mostrar às autoridades e potestades a multiforme sabedoria de Deus’ (Efésios 3:10). Sem a Queda não conheceríamos nada da Cruz e do Evangelho.” Nos monumentos do Egito encontram‑se representações de uma divindade em forma humana, perfurando com uma lança a cabeça de uma serpente. Isso é considerado ilustração da ampla disseminação da tradição da Queda. A história da “idade de ouro”, que dá lugar à “idade de ferro”, a era de pureza e inocência seguida por um tempo em que o homem se torna presa do pecado e da miséria, conforme representado na mitologia de Grécia e Roma, também tem sido considerada uma tradição da Queda.