Easton's Bible Dictionary
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As cartas apostólicas. O Novo Testamento contém ao todo vinte e uma. São divididas em duas classes. (1) As Epístolas de Paulo, catorze no total, incluindo Hebreus. Estas não estão ordenadas no Novo Testamento segundo a data de composição, mas sim de acordo com a importância das cidades ou lugares a que foram dirigidas. Quem as arranjou desse modo é desconhecido. As cartas de Paulo eram, em regra, ditadas a um amanuense, fato que explica algumas de suas peculiaridades. Ele, porém, as autentificava acrescentando algumas palavras de próprio punho ao final. (Ver GALATAS, EPÍSTOLA A.) As epístolas a Timóteo e Tito são chamadas de Epístolas Pastorais. (2) As Epístolas Católicas ou Gerais, assim denominadas porque não são endereçadas a uma igreja, cidade ou indivíduo em particular, mas aos cristãos em geral, ou aos cristãos em várias regiões. Dessas, três são de João, duas de Pedro, e uma de cada um: Tiago e Judas. É interessante e instrutivo que grande parte do Novo Testamento seja ocupada por epístolas. As doutrinas do cristianismo não são apresentadas em tratado formal, mas principalmente numa coleção de cartas. “O cristianismo foi a primeira grande religião missionária. Foi a primeira a romper as barreiras de raça e a ambicionar abraçar toda a humanidade. Mas isso envolveu necessariamente mudança no modo de apresentação. O profeta do Antigo Testamento, se tivesse algo a comunicar, aparecia pessoalmente ou enviava mensageiros para falar por ele. Os limites reduzidos da Palestina facilitavam a comunicação direta. Mas o caso mudou quando a Igreja Cristã passou a consistir de comunidades dispersas, estendendo‑se da Mesopotâmia no oriente até Roma ou mesmo a Hispânia no extremo ocidente. Era natural que o apóstolo que havia fundado a maior parte dessas comunidades procurasse comunicar‑se com elas por carta.”
Hastings Dictionary of the Bible
Hastings Dictionary of the Bible
EPÍSTOLAS — palavra aplicada às cartas apostólicas no Novo Testamento. A existência de cartas entre os hebreus e o modo de sua composição será discutida sob Carta, Escrita. As Epístolas do N.T. surgiram da necessidade de correspondência como substituto da instrução pessoal dos apóstolos, com a ampliação de seu campo de trabalho. Podem ser divididas em três classes: congregacionais — dirigidas a uma igreja particular e tratando de questões doutrinárias ou práticas; privadas — dirigidas a indivíduos, mas contendo exortação e conselho aplicáveis a muitos; e gerais — destinadas ao uso universal. Paulo contribui com treze ou quatorze; João, três; Pedro, dois; Tiago e Judas, um cada. Em sua forma externa, as Epístolas são como se esperaria de judeus situados em meio à civilização grega. Começam (exceto a Epístola aos Hebreus e 1 João) com o nome do autor e a pessoa ou igreja a quem a carta se dirige; nos casos de 1 e 2 Pedro e Judas, com um endereçamento mais geral. Segue a saudação grega e hebraica habitual (“graça” e “paz”). Na carta, usa‑se a primeira pessoa, singular ou plural, indistintamente. As mensagens individuais ficam para o final. Como as epístolas de Paulo são as mais numerosas e importantes, sua forma e método exigem tratamento mais amplo. Sua saudação inicial combina a “graça” grega com a “paz” hebraica, transformando as ideias correntes de saúde física e conforto temporal no profundo sentido da graça salvadora de Deus e da paz em Cristo. Paulo empregava um amanuense; esse fato explica muitas de suas peculiaridades: suas frases às vezes são envolvidas e têm a veemência de um orador, não a calma de um escritor. Para autenticar suas cartas, Paulo acrescentava algumas palavras, uma saudação ou uma frase de próprio punho, provavelmente usando letras maiores do que as usuais, talvez por causa de sua visão defeituosa: “Vede com que letras grandes vos escrevi de minha própria mão” (Gálatas 6:11). Cada uma de suas epístolas foi escrita para atender a alguma emergência; daí que reflitam ocasiões históricas. Cada epístola tem uma ideia fundamental claramente definida que governa toda a sua parte. São tratados para seu tempo, e, ao mesmo tempo, para todos os tempos e todas as congregações. As epístolas mais antigas antecedem os Evangelhos. Surgiram das necessidades da jovem Igreja. Perguntas eram constantemente apresentadas aos apóstolos para decisão; havia cristãos a encorajar e perigos a apontar; assim surgiram muitas ocasiões para essas cartas. É manifesto que o Novo Testamento contém apenas parte dessa correspondência. Mas toda carta que por sua natureza era adaptada à Igreja universal foi preservada como parte de seu cânon. Ver Cânon.
Schaff's Dictionary of the Bible
Schaff's Dictionary of the Bible
EPÍSTOLAS — palavra aplicada às cartas apostólicas no N.T. A existência de cartas entre os Hebreus e o modo de sua composição será discutida sob Carta, Escrita. As epístolas do N.T. surgiram da necessidade de correspondência como substituto da instrução pessoal dos apóstolos com a ampliação de seu campo de trabalho. Podem ser divididas em três classes: congregacionais, dirigidas a uma igreja particular e tratando de questões doutrinárias ou práticas; privadas, dirigidas a indivíduos, mas ainda contendo exortação e conselho apropriados para muitos; e gerais, destinadas ao uso universal. Paulo contribui com treze ou quatorze; João, três; Pedro, dois; Tiago e Judas, um cada. Em sua forma exterior as epístolas são tais como se esperaria de judeus situados no meio de uma civilização grega. Começam (a Epístola aos Hebreus e 1 João excetuadas) com o nome do escritor e a pessoa ou igreja a quem a carta é dirigida; no caso de 1 e 2 Pedro e Judas, com uma saudação mais geral. Segue-se a saudação grega e hebraica habitual ('graça' e 'paz'). Na carta usa‑se indistintamente a primeira pessoa, singular ou plural. As mensagens individuais ficam para o final. Como as epístolas de Paulo são as mais numerosas e importantes, sua forma e método exigem tratamento mais amplo. Sua saudação inicial combina o grego 'graça' com o hebraico 'paz', e transforma as ideias predominantes de saúde física e conforto temporal no sentido profundo da graça salvadora de Deus e da paz em Cristo. Paulo empregou um amanuense. Esse fato explica muitas de suas peculiaridades; suas frases são às vezes complexas e têm a veemência de um orador, e não a calma e o controle de um escritor. Para, porém, autenticar suas cartas, Paulo acrescentava algumas palavras, uma saudação ou uma frase em sua própria mão, provavelmente empregando letras maiores do que as de uso comum, talvez por causa de sua visão defeituosa. “Vede com que letras grandes vos escrevi com a minha própria mão”, escreve ele aos Gálatas (Gálatas 6:11). Cada uma de suas epístolas foi escrita para atender alguma emergência; por isso trazem a impressão de uma ocasião histórica. Cada epístola tem uma ideia fundamental claramente definida que governa toda a sua parte. São tratados para seu tempo e, todavia, tratados para todos os tempos e todas as congregações. As epístolas anteriores antecedem os Evangelhos. Surgiram das necessidades da Igreja jovem. Perguntas eram constantemente submetidas aos apóstolos para sua decisão. Havia também cristãos a serem encorajados e perigos a serem apontados, e assim havia múltiplas ocasiões para essas cartas. É bastante manifesto que nosso N.T. contém apenas uma parte dessa correspondência. Mas toda carta que, por sua natureza, se adaptava à Igreja universal foi preservada como parte de seu cânon. Ver Cânon.
Fontes
- Easton's Bible Dictionary (1897)
- Hastings Dictionary of the Bible (1898)
- Schaff's Dictionary of the Bible (1880)
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