Easton's Bible Dictionary
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Foi escrita por Paulo em Roma mais ou menos na mesma época da epístola aos Colossenses, com a qual apresenta muitas semelhanças. Conteúdo: A Epístola aos Colossenses é sobretudo polêmica, destinada a refutar certos erros teosóficos que tinham surgido na igreja de Colossos. A dirigida aos Efésios não parece ter se originado por circunstâncias especiais, mas é simplesmente uma carta nascida do carinho de Paulo pela igreja ali, e indicativa de seu vivo desejo de que fossem plenamente instruídos nas profundas doutrinas do evangelho. Contém (1) a saudação (1:1, 2); (2) uma descrição geral das bênçãos que o evangelho revela, quanto à sua fonte, aos meios pelos quais são obtidas, ao propósito para o qual são concedidas e ao seu resultado final, com uma fervorosa oração pelo enriquecimento espiritual dos efésios (1:3-2:10); (3) um relato da notável mudança de posição espiritual que os crentes gentios agora possuíam, terminando com um relato da escolha e qualificação do autor para o apostolado entre os gentios, fato considerado de modo a não desanimá-los, e a levá-lo a orar por maiores bênçãos espirituais sobre seus cofiéis ausentes (2:12-3:21); (4) um capítulo sobre a unidade, não perturbada pela diversidade de dons (4:1-16); (5) exortações especiais referentes à vida comum (4:17-6:10); (6) a imagem de uma guerra espiritual, a missão de Tíquico, e uma bênção de despedida (6:11-24). Plantio da igreja em Éfeso: A primeira e apressada visita de Paulo a Éfeso, por espaço de três meses, está registrada em Atos 18:19-21. O trabalho que ali iniciou foi continuado por Apolo (24-26) e por Áquila e Priscila. Numa segunda visita, no início do ano seguinte, permaneceu em Éfeso “três anos”, pois percebeu que era a chave para as províncias ocidentais da Ásia Menor. Ali “uma porta grande e eficaz” lhe foi aberta (1 Cor. 16:9), e a igreja foi estabelecida e fortalecida por seus laboriosos esforços (Atos 20:20, 31). De Éfeso como centro o evangelho se espalhou “quase por toda a Ásia” (19:26). A palavra “crescia poderosamente e prevalecia” apesar da oposição e perseguição. Em sua última viagem a Jerusalém, o apóstolo chegou a Mileto, e convocando os anciãos da igreja de Éfeso, dirigiu-lhes aquela notável exortação de despedida (Atos 20:18-35), esperando não mais vê-los. Podem ser traçados diversos paralelos entre esta epístola e a charge milesiana: (1) Atos 20:19 = Ef. 4:2; (2) Atos 20:27 = Ef. 1:11; (3) Atos 20:32 = Ef. 3:20; (4) Atos 20:32 = Ef. 2:20; (5) Atos 20:32 = Ef. 1:14, 18. Lugar e data da redação: Evidentemente escrita em Roma durante o primeiro cárcere de Paulo (3:1; 4:1; 6:20), provavelmente logo após sua chegada, cerca do ano 62, quatro anos depois de haver se despedido dos presbíteros efésios em Mileto. A subscrição desta epístola é correta. Parece não haver ocasião especial para sua redação, como já notado: o objetivo de Paulo não era polêmico; não havia erros manifestos na igreja que ele buscasse apontar e refutar. O propósito do apóstolo é “expor a razão, a causa, o fim e o objetivo da igreja dos fiéis em Cristo”. Ele fala aos efésios como tipo ou exemplo da igreja universal. A fundação, o curso e o fim da igreja constituem seu tema. “Em todo lugar a fundação da igreja é a vontade do Pai; o curso da igreja é pela satisfação do Filho; o fim da igreja é a vida no Espírito Santo.” Na Epístola aos Romanos, Paulo escreve do ponto de vista da justificação pela justiça imputada de Cristo; aqui escreve especialmente do ponto de vista da união com o Redentor e, portanto, da unidade da verdadeira igreja de Cristo. “Esta é talvez a mais profunda obra existente.” É um livro “que toca as profundezas da doutrina cristã e escala as maiores alturas da experiência cristã”; e o fato de o apóstolo evidentemente esperar que os efésios a entendessem é prova da “proficiência que os convertidos de Paulo haviam alcançado sob sua pregação em Éfeso.” Relação entre esta epístola e a dos Colossenses: “As cartas do apóstolo são o fervoroso desabrochar do zelo pastoral e do afeto, escritas sem reserva e com simplicidade afetuosa; os sentimentos surgem quentes do coração, sem o lapidar e a pontual organização de um discurso formal. Há tal transcrição fresca e familiar do sentimento, com frequente introdução de idiomatismo coloquial e tanta franqueza e vivacidade conversacional, que o leitor associa a imagem do escritor a cada parágrafo...”