Schaff's Dictionary of the Bible
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CORÍNTIOS — AS EPÍSTOLAS DE PAULO AOS CORÍNTIOS. Elas mostram as provações e tentações, as virtudes e vícios, de uma congregação grega em tempos apostólicos, e a sabedoria e o amor, as provações e a paciência de Paulo ao tratar algumas das mais difíceis questões práticas e doutrinárias que se repetem na história de toda igreja. São tão plenas de individualidade e adaptação local que sua origem paulina nunca foi contestada. A Primeira Epístola foi escrita em Éfeso, já no fim da residência de três anos do apóstolo ali, na primavera do ano 57 d.C. Foi enviada à igreja por Estéfanas, Fortunato, Acaico e Timóteo, segundo a rubrica. Sua causa imediata foi a dolorosa notícia que chegara a Paulo de que havia dissensões na igreja entre os diferentes elementos — judeus convertidos, prosélitos e gentios — que a compunham. Alguns membros declaravam‑se paulinos, outros petrinos; outros eram de Apolo, e outros de Cristo — cristãos num sentido sectário e exclusivo (Romanos 16:1-4). Esse estado de coisas é explicável. A igreja de Corinto fora fundada pelo apóstolo durante sua segunda jornada missionária (Atos 18:1 em diante), durante seus dezoito meses de residência em Corinto. Não muito depois de sua saída, Apolo veio (Atos 19:1), que por sua eloquência conquistou seguidores. Judaizantes também, vindos de Jerusalém, chegaram à cidade, deturpando Paulo como um radical perigoso, negando sua autoridade apostólica e obrigando‑o a defender‑se. Assim, a igreja ficou gravemente dividida. Aqueles que se intitulavam “de Cristo” talvez tenham inicialmente tentado reconciliação voltando‑se além de toda autoridade humana para Cristo, mas pareceram finalmente ter acrescentado uma quarta facção às existentes. Outra preocupação que exigiu ação decisiva foi o estado de laxismo sexual. Isso dá a Paulo oportunidade para expor suas opiniões sobre o casamento e a relação dos sexos em geral. A partir desses casos específicos de atos ostensivos, ele passa a considerar vários assuntos de prática cristã — comer carnes sacrificadas a ídolos; a observância apropriada da Ceia do Senhor e sua verdadeira natureza; as decências do culto; os dons do Espírito. No capítulo sobre a ressurreição ele trata do tema com notável eloquência. A Segunda Epístola foi escrita da Macedônia, no mesmo ano, alguns meses depois da Primeira — isto é, no verão ou outono de 57 d.C. —. Seu conteúdo parece ter sido determinado pelos relatos que o apóstolo recebera de Tito, e talvez também de Timóteo, sobre o efeito de sua Epístola anterior. Esse efeito foi, no todo, favorável; ainda assim muitos negavam o direito de Paulo ao apostolado. Assim, nesta epístola ele, antes de tudo, dá conta de seu ministério e se abre ao afetos pelos seus convertidos; em seguida, exorta‑os a contribuírem liberalmente para o sustento da igreja em Jerusalém, provavelmente porque essa prova de fraternidade cristã curaria suas ciúmes locais; e, por fim, defende seu caráter apostólico. Geralmente se supõe, a partir de 1 Coríntios 5:9, que houve outras cartas a essa igreja além destas duas, mas não se pode determinar quantas. As duas epístolas são singularmente afetuosas, embora essa igreja estivesse muito aquém do ideal.