Easton's Bible Dictionary
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O assunto das cores ocupa lugar importante nas Escrituras. O branco aparece como tradução de várias palavras hebraicas. É aplicado ao leite (Gênesis 49:12), ao maná (Êxodo 16:31), à neve (Isaías 1:18), aos cavalos (Zacarias 1:8), às vestes (Eclesiastes 9:8). Outra palavra hebraica assim traduzida aplica‑se ao mármore (Ester 1:6), e uma cognata ao lírio (Cantares 2:16). Um termo diferente, significando “deslumbrante”, aplica‑se ao semblante (Cantares 5:10). Esta cor foi um emblema de pureza e inocência (Marcos 16:5; João 20:12; Apocalipse 19:8, 14), de alegria (Eclesiastes 9:8) e também de vitória (Zacarias 6:3; Apocalipse 6:2). Os cortinados do pátio do Tabernáculo (Êxodo 27:9; 38:9), os mantos, mitras, bonés e calções dos sacerdotes (Êxodo 39:27, 28), e a roupa do sumo sacerdote no dia da Expiação (Levítico 16:4, 32), eram brancos. O preto aplicado ao cabelo (Levítico 13:31; Cantares 5:11), à tez (Cantares 1:5), e a cavalos (Zacarias 6:2, 6). A palavra traduzida “castanho” em Gênesis 30:32 (R.V., “black”) significa propriamente “chamuscado”, i.e., a cor produzida pela influência dos raios solares. “Negro” em Jó 30:30 significa sujo, enegrecido pela tristeza e pela doença. A palavra aplica‑se às vestes de luto (Jeremias 8:21; 14:2), a um céu encoberto (1 Reis 18:45), à noite (Miqueias 3:6; Jeremias 4:28), e a um ribeiro turvo por neve derretida (Jó 6:16). É usada simbolicamente do mal em Zacarias 6:2, 6 e Apocalipse 6:5. Foi emblema de luto, aflição, calamidade (Jeremias 14:2; Lamentações 4:8; 5:10). O vermelho aplicado ao sangue (2 Reis 3:22), a uma novilha (Números 19:2), ao guisado de lentilhas (Gênesis 25:30), a um cavalo (Zacarias 1:8), ao vinho (Provérbios 23:31), à tez (Gênesis 25:25; Cantares 5:10). Esta cor é simbólica de derramamento de sangue (Zacarias 6:2; Apocalipse 6:4; 12:3). O púrpura, cor obtida da secreção de uma espécie de molusco (Murex trunculus) que se encontrava no Mediterrâneo, particularmente nas costas da Fenícia e da Ásia Menor. A matéria colorante em cada molusco era apenas uma gota, daí o grande valor do corante. Trajes desta cor eram usados por reis (Juízes 8:26) e altos oficiais (Ester 8:15). Também por ricos e luxuriosos (Jeremias 10:9; Ezequiel 27:7; Lucas 16:19; Apocalipse 17:4). Com essa cor vinha associada a ideia de realeza e majestade (Juízes 8:26; Cantares 3:10; 7:5; Daniel 5:7, 16, 29). O azul também era obtido de um molusco, o chelzon dos hebreus, e a Helix ianthina dos naturalistas modernos. A tonalidade era emblemática do céu, o tom escuro do céu oriental. Essa cor era usada como o púrpura. A fita e a franjas do traje hebraico eram dessa cor (Números 15:38). As argolas das cortinas (Êxodo 26:4), a trança da peitoral do sumo sacerdote, a túnica do éfode, e a trança da sua mitra, eram azuis (Êxodo 28:28, 31, 37). Escarlate ou carmesim. Em Isaías 1:18 usa‑se palavra hebraica que denota o verme ou larva de onde se obtinha esse corante. Em Gênesis 38:28, 30, a palavra assim traduzida significa “brilhar”, e expressa o brilho da cor. Os pequenos insetos parasitas dos quais este corante era obtido lembravam um pouco a cochonilha encontrada em países orientais. É chamado pelos naturalistas Coccus ilicis. O corante era extraído só da fêmea. O único objeto natural a que essa cor se aplica nas Escrituras são os lábios, comparados a um fio escarlate (Cantares 4:3). Vestes escarlates eram usadas pelos ricos e luxuriosos (2 Samuel 1:24; Provérbios 31:21; Jeremias 4:30; Apocalipse 17:4). Era também a cor do traje do guerreiro (Naum 2:3; Isaías 9:5). Os fenícios eram exímios na arte de tingir essa cor (2 Crônicas 2:7). Essas quatro cores—branco, púrpura, azul e escarlate—foram usadas nas tramas das cortinas do Tabernáculo (Êxodo 26:1, 31, 36), e também no éfode, cinto e peitoral do sumo sacerdote (Êxodo 28:5, 6, 8, 15). Fio escarlate é mencionado nos ritos de purificação do leproso (Levítico 14:4, 6, 51) e na queima da novilha vermelha (Números 19:6). Foi um fio carmesim que Raabe devia atar em sua janela como sinal de que seria poupada com vida (Josué 2:18; 6:25) quando a cidade de Jericó foi tomada. O vermelho de mercúrio, o sulfeto vermelho do mercúrio, ou cinábrio; uma cor usada para desenhar figuras de ídolos nas paredes de templos (Ezequiel 23:14), ou para decorar paredes e vigas de casas (Jeremias 22:14).