Easton's Bible Dictionary
Easton's Bible Dictionary
Esta palavra aparece raramente na Versão Autorizada do Novo Testamento (exceto em Rom. 5:11, onde na Revisada se usa “reconciliação”). No Antigo Testamento ocorre com frequência. Significa simplesmente estar‑em‑harmonia, isto é, reconciliação; assim, expiação é reconciliação. Denota tanto o efeito que decorre da morte do Cristo quanto, por extensão, aquilo por que a reconciliação é realizada — isto é, a satisfação (Ex. 32:30; Lev. 4:26; 5:16; Num. 6:11) e reconciliar Deus em favor do ofensor. Pela expiação do Cristo entendemos, em geral, sua obra que expiou os nossos pecados. No uso bíblico, a palavra denota a reconciliação em si, não apenas o meio. Ao falar do trabalho redentor do Cristo, o termo “satisfação” (dos teólogos da Reforma) é preferível: é tudo o que Cristo fez na nossa representação para satisfazer as exigências da lei e da justiça de Deus. A obra de Cristo consistiu em sofrimento e obediência vicariante — realizadas em nosso lugar. Nossa culpa é expiada pelo castigo que o nosso vicar suportou, tornando Deus propício; assim é compatível com sua justiça manifestar amor a transgressores. A expiação também é vista como necessária relativemente, i.e., se o homem há de ser salvo, não há outro modo senão este que Deus estabeleceu (Ex. 34:7; Jos. 24:19; Sl. 5:4; 7:11; Naum 1:2, 6; Rom. 3:5). Este é o plano revelado de Deus, e isso basta ao crente.
Hastings Dictionary of the Bible
Hastings Dictionary of the Bible
EXPIAÇÃO. Literalmente, at-onement, ou reconciliação; teologicamente, a satisfação ou propiciação conseguida pela morte do Cristo como fundamento do acordo ou reconciliação entre Deus e o homem. A palavra ocorre frequentemente no Antigo Testamento, mas apenas uma vez no Novo (Romanos 5:11, onde o grego significa “reconciliação”, que é o resultado da morte expiatória de Cristo). O assunto em si é apresentado em toda variedade nos Evangelhos e nas Epístolas. Romanos 3–8 e Hebreus 7–10, inclusive. A grande expiação feita pelo sacrifício de Cristo constitui o sólido fundamento da fé cristã. A eficácia dela é tal que o pecador, embora por natureza filho da ira, por fé em Cristo é colocado na graça de Deus, livrado da condenação e feito herdeiro da vida e glória eternas. A palavra hebraica traduzida “expiação” significa “cobertura”, Salmos 32:1, e a versão grega dessa palavra é traduzida “propiciação” em nossa Bíblia, podendo denotar tanto que nossas ofensas são cobertas quanto que somos protegidos da maldição, Cristo tendo sido feito maldição por nós. Gálatas 3:13. Geralmente, onde o termo ocorre, está implícito um estado de controvérsia ou estranhamento; e em relação à parte ofendida, importa algo feito para propiciar. Gênesis 32:20; Ezequiel 16:63. A ideia de fazer expiação é expressa por uma palavra que significa “fazer propiciação”; e os apóstolos, referindo-se à morte de Cristo, usam exatamente os termos que na versão dos Setenta do Antigo Testamento se aplicam a sacrifícios legais e seu efeito, representando assim a morte de Cristo não somente como um sacrifício real e próprio, mas como a verdade e o cumprimento de todos os tipos e sombras levíticos — a verdadeira, eficaz e única expiação pelos pecados, 1 João 2:2; 1 João 4:10 — mostrando que Cristo não é apenas o agente por quem a propiciação é feita, mas que foi ele mesmo o sacrifício propiciatório.
Schaff's Dictionary of the Bible
Schaff's Dictionary of the Bible
DIA DA EXPIAÇÃO. Levítico 16; Levítico 23:27-32. O único dia judaico de jejum; o dia anual de humilhação. Era observado cinco dias antes da Festa dos Tabernáculos, ou no décimo dia de Tisri; isto é, no início de outubro. O jejum durava do pôr do sol ao pôr do sol. Era guardado como um sábado solene. Uma vez por ano, neste dia, somente o sumo sacerdote entrava no santo dos santos. Essa era a preparação. Ordenava‑se que ele se banhasse e depois se vestisse com linho branco sagrado. Em seguida devia apresentar seus sacrifícios, que tinham de ser de sua própria compra — um novilho para uma oferta pelo pecado e um carneiro para um holocausto. Estes oferecia por si e por sua família. Além destes, apresentava dois bodes para oferta pelo pecado e um carneiro para holocausto. Estes, sendo em benefício do povo, eram pagos do tesouro público. Os dois bodes eram então conduzidos à entrada do Tabernáculo e lançavam‑se sortes sobre eles, uma marcada “Para Jeová”, a outra marcada “Para Azazel”. Este último é uma expressão de incomum dificuldade. Mas os melhores estudiosos modernos concordam que não designa o bode, e sim o ser pessoal a quem o bode era enviado. Veja Bode Expiatório. O sumo sacerdote oferecia o novilho, trazia carvões acesos num turíbulo do altar, com um punhado de incenso, até o santo dos santos. Ali aspergia o sangue com o dedo sobre o propiciatório, voltado para o leste, e diante dele sete vezes. Em seguida matava o bode “para Jeová” e aspergia seu sangue do mesmo modo. Sobre o bode “para Azazel” eram confessados os pecados do povo pelo sumo sacerdote, e então era enviado “pela mão de um homem apto para o deserto”. A cerimônia terminava aí. Consequentemente, o sumo sacerdote se banhava novamente, colocava suas vestes costumeiras e oferecia os dois carneiros.
Fontes
- Easton's Bible Dictionary (1897)
- Hastings Dictionary of the Bible (1898)
- Schaff's Dictionary of the Bible (1880)
Conteúdo histórico de domínio público, disponibilizado conforme a licença e a atribuição do dataset utilizado.